O PP acertou com o Palácio do Planalto a participação do partido na pasta das Comunicações, o que abre espaço para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva finalizar a reforma ministerial, pendente desde outubro do ano passado.
- Essa é a pasta (Comunicações) que foi inicialmente oferecida - afirmou o presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE) a jornalistas nesta terça-feira. Mas alertou - Nós trabalhamos com a pasta das Comunicações desde que o ministro tenha autonomia.
O ministro José Dirceu (Casa Civil), braço direito de Lula na reestruturação do Executivo, teve reuniões fechadas com Pedro Corrêa e com o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE). Um último encontro entre Lula e Severino ainda deve ocorrer antes do anúncio oficial.
O nome mais cotado do partido à pasta é o do segundo vice-presidente da Câmara, Ciro Nogueira (PI), mas corre por fora o deputado João Pizzolatti (SC), que pode ser uma opção de última hora caso a bancada tenha maior peso na decisão que Severino.
Para demonstrar a força do presidente da Câmara na decisão, o líder do partido, deputado José Janene (PR), elogiou o perfil de Nogueira, que até a eleição de Severino não tinha nenhuma visibilidade, para comandar o ministério.
- O Ciro é um deputado querido que tem a preferência do presidente Severino Cavalcanti e tem todas as condições de ser um bom ministro - afirmou Janene.
- Eu tenho um elenco de homens da maior qualificação, portanto o presidente Lula terá o direito de fazer o que é melhor para o Brasil e acertar. Nisso, o Ciro será um bom ministro - sintetizou Severino.
A promessa de dar ao PP um ministério vem desde o ano passado, mas o presidente Lula havia pensado numa pasta menor, como a dos Esportes.
Depois da vitória de Severino na Câmara, o partido ganhou relevância com seus 51 deputados e nenhum senador e passou a fazer parte da engenharia da reforma, que é obter suporte sólido do Congresso ao governo na segunda metade do mandato e garantir apoio à reeleição de Lula.
A reforma poderá ser anunciada na quinta-feira, já que quarta e sexta o presidente Lula estará em viagens.
Apesar do cenário favorável ao seu nome, Ciro descartou deixar o cargo.
- Eu não renunciaria à Mesa por um ministério - esnobou.
Caso ele renuncie, o regimento da Câmara determina que seja convocada outra eleição para o posto de segundo vice-presidente da Câmara, que cabe ao PP. Mas a indicação de Nogueira pode se tornar, na prática, benéfica ao PT, que, sem cargo na Mesa, poderia receber a função como retribuição pelo ministério.
Com a oferta das Comunicações ao PP, o ministro Eunício Oliveira (PMDB-CE) seria deslocado para outra pasta --especula-se que seja a Integração Nacional, hoje com Ciro Gomes (PPS).
O líder do PP afirmou que, antes de bater o martelo junto ao PP, o presidente Lula precisaria definir o rumo do PMDB no governo. Além da permanência de Eunício em outra pasta, um nome dado como certo é a ida do senador Romero Jucá (PMDB-RR) para a Previdência Social, ocupada hoje pelo também peemedebista Amir Lando (RO), que deixaria o ministério.
A senadora Roseana Sarney, que deve deixar o PFL para ingressar no ministério, era cotada para as Comunicações e agora deve ser contemplada com outra pasta.
Apesar das negociações com líderes partidários, Lula não fez convite formal a nenhum partido.
O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), sinalizou que os ministros Humberto Costa (Saúde) e Aldo Rebelo (Coordenação Política) devem deixar suas pastas na reforma. O senador elogiou a atuação dos dois, mas fez a avaliação de ambos no passado.
O provável substituto de Aldo é o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP). Questionado se aceitaria a tarefa de comandar a articulação política do governo, respondeu:
- Isso é uma atribuição do presidente. Eu estou bem lá no meu cantinho como deputado. Está indo bem lá.
Ele preferiu uma postura cautelosa e não d