A eleição de Severino Cavalcanti (PE) à presidência da Câmara teve dois efeitos contraditórios em seu partido, o PP: o fortalecimento da tese da reforma política, que prevê fidelidade partidária, e a expectativa de crescimento de sua bancada de deputados.
- O Severino tornou-se um chamariz para os políticos de todo o país, temos mantido várias conversas e é bem possível fazer o partido ser a segunda ou terceira bancada - afirmou nesta segunda-feira o líder do PP na Câmara, deputado José Janene (PR).
O PP negocia principalmente com deputados do PTB e do PL, legendas da base do governo que colaboraram para a derrota do candidato oficial do PT à presidência da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), em favor de Severino.
Um parlamentar oposicionista estima que a bancada do PP pode pular dos atuais 51 deputados para 80, ultrapassando o PFL, que tem 61, atualmente a terceira maior legenda.
Um dos deputados que mais mudaram de partido desde o começo do mês é exatamente um progressista. Ronivon Santiago (AC) saiu do PP para o PMDB no dia 16, mas teve sua filiação impugnada e ficou sem partido, sendo obrigado a voltar ao partido original nesta segunda-feira. Com isso, o partido tem a quinta maior bancada.
Outro efeito Severino é no Senado. O PP, que não elegeu nenhum senador em 2002, deve ter seu primeiro representante na Casa: a senadora tucana Lúcia Vânia (GO).
Além disso, outros dois senadores têm mantido conversas com o PP para trocar de partido, segundo disse à Reuters um senador governista.
Ao mesmo tempo em que espera atrair deputados, o PP afirma ter como principal bandeira legislativa este ano a reforma política, que, se implementada da maneira que defendem, prejudicaria o próprio partido.
Segundo Janene, o ponto mais importante é a fidelidade partidária e a renovação da lei eleitoral, os dois pontos também defendidos pelo presidente da Câmara.
"Nós fechamos questão de que tem que haver um mecanismo específico que não enfraqueça os partidos, ou seja, se um deputado sair de seu partido, ele necessariamente tem que deixar o mandato", afirmou Janene.
A proposta da reforma política será tema de discussão em almoço promovido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que, além de Severino, terá a presença de líderes da oposição e do governo do Senado e da Câmara.
Apesar do esforço, a reforma, até agora, tem sido mais retórica do que ação. O texto do relator Rubens Otoni (PT-GO), que precisa ser votado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, exclui a questão da fidelidade partidária, principal demanda dos parlamentares.