Asafa Powell, filho de fala mansa de um pastor religioso, tirou o recorde mundial dos 100 metros rasos das mãos de um homem que poderia perdê-lo de qualquer forma por envolvimento em um escândalo de doping.
O jamaicano de 22 anos completou a distância em 9s77 no estádio Olímpico de Atenas durante um meeting nesta terça-feira, um centésimo de segundo mais rápido do que fora Tim Montgomery na final do GP de Paris em 2002.
Nas próximas semanas a Corte Arbitral do Esporte (CAS) anunciará se Montgomery será suspenso por toda a sua vida e se perderá a medalha e o tempo conquistados em Paris.
A marca de Powell encerra qualquer dúvida sobre o recorde, confirmando seu excelente início de temporada. Ele terminou a prova com o tempo de 9s78, mas a revisão da corrida deu-lhe a diminuição de 0s01 para ficar como recordista único.
- Sabia que poderia quebrar o recorde mundial e estou muito feliz por ter conseguido. Se me perguntar o que mais eu posso fazer este ano, vai ter que esperar até o fim da temporada para ver - disse Powell.
Na agenda de Powell, o próximo compromisso deve ser o Mundial de Atletismo em Helsinque, em agosto. Dois anos atrás ele foi desclassificado nas quartas-de-final do Mundial de Paris.
No ano passado ele estava invicto até a principal corrida do ano, quando acabou apenas na quinta colocação nos Jogos Olímpicos de Atenas.
Powell é apenas o quarto velocista de fora dos Estados Unidos a deter o recorde mundial da prova desde 1912, e o primeiro desde o canadense de origem jamaicana Donavan Bailey, que fez 9s84 na final dos Jogos Olímpicos de Atlanta.
Powell, cujo estilo tranquilo e simpático contrasta com o jeito dos norte-americanos, é obviamente um talento do atletismo mundial na história e ainda pode reduzir mais o seu tempo com o aquecimento da temporada européia.
Perguntado sobre o quão rápido ele pode correr, Powell sorriu e respondeu:
-Quem sabe? Nove e alguma coisa?.