Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Powell tenta manter Espanha na coalizão

Quarta, 24 de Março de 2004 às 05:53, por: CdB

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, tentará segurar uma cambaleante aliança com a Espanha no Iraque nesta quarta-feira, quando participará junto com líderes europeus de uma cerimônia em memória das vítimas do ataque de 11 de março em Madri.

Powell e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, irão se reunir com o primeiro-ministro eleito da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, o qual prometeu retirar os 1.300 soldados espanhóis do Iraque, a menos que a Organização das Nações Unidas (ONU) assuma o controle das forças no país até 30 de junho.

Washington deseja que a ONU assuma uma função no Iraque a fim de dar credibilidade à planejada transferência da soberania ao país. Londres, por sua vez, disse que espera encontrar uma solução que mantenha a Espanha na coalizão.

Powell declarou a repórteres antes de deixar Washington que é improvável que eles discutam detalhes de uma resolução da ONU. ``Vamos ver quais serão as oportunidades para uma conversa, mas duvido que chegará a este nível de detalhes específicos'', disse Powell.

Com a surpreendente eleição de Zapatero - três dias depois das explosões em trens de Madri, que mataram 190 pessoas - a Espanha saiu da posição de firme aliada do presidente dos EUA, George W. Bush, no Iraque.

Os eleitores espanhóis acabaram com o governo de centro-direita do primeiro-ministro José María Aznar - que apoiou Bush e Blair no Iraque. Alguns acusaram-no de ter tornado o país alvo de supostos militantes islâmicos ao apoiar a guerra no Iraque.

Zapatero foi contra o conflito, assim com a maioria da opinião pública da Espanha, e classificou a ocupação do Iraque como um ``fiasco''.

Autoridades norte-americanas e britânicas sugeriram que qualquer retirada espanhola do Iraque poderia ser um prêmio para a Al Qaeda, de Osama bin Laden, e outros grupos militantes.
Mas Zapatero lembrou que suas promessas foram feitas antes dos ataques em Madri.

Militarmente, a contribuição espanhola no Iraque é pequena, mas seu significado político é grande, porque a guerra causou disputas diplomáticas na Europa e no mundo. 

Zapatero terá uma agenda cheia na quarta-feira, começando com negociações com Blair antes do memorial para as vítimas das explosões, às 12h30 (8h30, horário de Brasília).
Ele também se encontrará com o presidente da França, Jacques Chirac, e com o chanceler alemão, Gerhard Schroeder.

O rei da Espanha, Juan Carlos, e a rainha Sofia participarão da cerimônia ao lado do príncipe Charles, da Grã-Bretanha. Mais de 1.000 pessoas, incluindo centenas de parentes de vítimas, deverão lotar a Catedral Almudena, de Madri.

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