Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Powell não contou na ONU que EUA forneceram armas químicas ao Iraque

A declaração do secretário de Estado dos Estados Unidos, Collin Powell, no Conselho de Segurança da ONU, expôs mais uma vez as contradições que caracterizam a política externa da maior potência do planeta. Hoje considerado pelos Estados Unidos uma ameaça à segurança nacional e à paz mundial, o presidente do Iraque, Sadam Hussein, já foi um importante aliado de Washington, que, na década de 80, não só fez vistas grossas ao uso de armas químicas contra os curdos, como forneceu tais produtos ao regime hoje jurado de morte. (Leia Mais)

Domingo, 09 de Fevereiro de 2003 às 20:16, por: CdB

A declaração do secretário de Estado dos Estados Unidos, Collin Powell, no Conselho de Segurança da ONU, expôs mais uma vez as contradições que caracterizam a política externa da maior potência do planeta. Hoje considerado pelos Estados Unidos uma ameaça à segurança nacional e à paz mundial, o presidente do Iraque, Sadam Hussein, já foi um importante aliado de Washington, que, na década de 80, não só fez vistas grossas ao uso de armas químicas contra os curdos, como forneceu tais produtos ao regime hoje jurado de morte. Atualmente inimigos confessos, EUA e o Iraque mantiveram, há alguns anos, relações diplomáticas de cooperação. Na ONU, Powell tentou justificar a necessidade de uma ação militar imediata contra o Iraque com o argumento de que o país de Saddam Hussein tem estocadas armas químicas e biológicas, com alto potencial de destruição. O que Powell não disse é que seu governo ajudou Sadam Hussein a obter e desenvolver tais armas que causaram a morte de milhares de iranianos e curdos durante a década de 80. Com o aval silencioso da Casa Branca. A relação entre EUA e Iraque remonta ao período anterior à Guerra do Golfo. Entre 1980 e 1988, durante a guerra entre Iraque e Irã, Washington elegeu Sadam Hussein como aliado preferencial na tentativa de derrotar o governo dos aiatolás. A cooperação entre os dois países envolveu a partilha de informações dos serviços secretos, o fornecimento norte-americano de bombas, armas químicas e biológicas. Em 1983, o hoje secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, visitou Bagdá, reuniu-se com Sadam Hussein e iniciou uma sólida relação de cooperação com o governo iraquiano. Segundo documentos já mencionados pelo jornal The Washington Post, os serviços secretos norte-americanos e o apoio logístico dos EUA desempenharam um papel crucial na consolidação das defesas iraquianas contra os ataques do Irã. As administrações de Ronald Reagan e de George Bush autorizaram a venda ao Iraque de agentes químicos e biológicos, como o vírus do anthrax e da peste bubônica. Quando os inspetores das Nações Unidas receberam autorização para entrar no Iraque, após a Guerra do Golfo, receberam longas listas de produtos químicos, componentes de mísseis e computadores de fornecedores norte-americanos. O terror como política externa Em seu livro "O terror como política externa dos Estados Unidos", Noam Chomsky acusa seu próprio país de ser o campeão mundial do terrorismo e rebate a idéia de que o terror seja a arma dos pobres. Muito pelo contrário, diz Chomsky, o terror é de longe a arma dos ricos que advogam para si o monopólio da violência. O lingüista e ativista lista casos de ações terroristas patrocinadas pelo governo dos EUA na Nicarágua, na Turquia, na Indonésia e no Iraque, onde a Casa Branca deu respaldo político e militar a Sadam Hussein em seu plano de aniquilação dos curdos, no norte do país. Chomsky retrocede ainda mais na linha do tempo e faz um breve histórico dos crimes cometidos pelos EUA: "nos últimos 200 anos, os EUA expulsaram ou quase exterminaram toda a população indígena de seu território, conquistou a metade do México, interviu militarmente diversas vezes no Caribe e na América Central, invadiu o Havaí e as Filipinas, onde foi responsável pela morte de cerca de 100 mil pessoas". Desde a Segunda Guerra Mundial, acrescenta Chomsky, os EUA só vem aumentando seu império. O caso da população curda é exemplar, segundo Chomsky, para esclarecer a real natureza da política externa norte-americana. Em 1984, a Turquia lançou uma grande ofensiva militar contra os 20 milhões de curdos que viviam no sudeste do país. O auge dessa ofensiva ocorreu em 1997, quando a ajuda militar norte-americana superou a de todo o período compreendido entre 1950 e 1983. Os números dessa ação falam por si: de 2 a 3 milhões de refugiados curdos e uma das piores limpezas étnicas do final dos anos 90; dezenas de milhares de mortos, 4.000 cidades e povoados destruídos. "Muito mais do que no Kosovo, sob os bombard

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