O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, fez um apelo na quarta-feira para que a Europa se reconcilie com os Estados Unidos depois da profunda divisão a respeito da guerra contra o Iraque.
"Estamos estendendo a mão para a Europa e esperamos que a Europa estenda a mão para nós", disse ele num discurso em que reconheceu a grande impopularidade trazida pela guerra contra o Iraque. Aliados norte-americanos como França e Alemanha se opuseram enfaticamente à ação militar no país então governado por Saddam Hussein.
A declaração faz parte de uma ofensiva "sedutora" lançada à Europa pelo presidente George W. Bush depois de sua reeleição, em novembro.
Num sinal claro de que muitas feridas ainda precisam cicatrizar, França, Alemanha, Bélgica, Espanha e Luxemburgo se recusaram a permitir que seus oficiais participassem da missão de treinamento organizada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Iraque.
No mês passado, o presidente francês, Jacques Chirac, irritou as autoridades norte-americanas ao dizer que o mundo ficou mais perigoso depois da queda de Saddam Hussein.
Naquela que deve ser sua última viagem à Europa como secretário de Estado, Powell comparou as discordâncias a um período turbulento num relacionamento saudável, preparando o caminho para a viagem que Bush fará ao continente em fevereiro.
"A política transatlântica tem seus dias de tempestade, mas o tempo acaba melhorando. Está melhorando agora e vai melhorar ainda mais quando o presidente Bush vier", afirmou.
Powell disse que as escoriações resultantes desse tipo de turbulência se curam mais rápido em relacionamentos maduros.
Ele ressaltou as áreas em que os EUA e a Europa trabalham em conjunto, como nas suspeitas sobre o programa nuclear iraniano -- embora tenha admitido que a posição norte-americana costuma ser mais linha-dura.
Powell também lembrou que Washington e os europeus têm a mesma meta de obter uma solução de dois Estados para o conflito entre israelenses e palestinos, mas reconheceu que muitos árabes e europeus acham que Bush é imparcial por Israel.
França, Alemanha e Grã-Bretanha negociaram a suspensão do enriquecimento de urânio pelo Irã, atividade que poderia produzir uma bomba atômica -- intenção negada por Teerã. Os EUA pressionam pelo cancelamento definitivo do programa e ameaçam levar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, para impor sanções ao Irã.
"Às vezes os Estados Unidos são os que reclamam ... No caso do Irã, estamos dizendo há muito tempo que algo está acontecendo. Eles estão caminhando para uma arma nuclear. E outros disseram: não, talvez vocês estejam exagerando", afirmou Powell.
"Às vezes somos aqueles que gritam mais alto do que a Europa gostaria ... mas, contanto que resolvamos o problema, talvez não seja um jeito ruim de agir", acrescentou.