O secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, partiu rumo à região de Darfur nesta quarta-feira em uma viagem que, segundo agências de ajuda humanitária, pode salvar vidas ao colocar pressão sobre o governo sudanês a fim de que reprima a atuação de milícias árabes na área e intensifique as ações de ajuda.
Enquanto Powell partia rumo a Cartum, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, pousava na cidade para realizar uma missão semelhante. A visita das duas autoridades mostra o interesse internacional despertado pelo conflito, que atinge cerca de dois milhões de sudaneses.
Agências estrangeiras de ajuda humanitária disseram que a visita de Powell a um campo para refugiados em Darfur poderia pressionar o governo sudanês a combater a crise e a salvar vidas.
A viagem de Powell para o local onde se desenrola o que é considerada a pior crise humanitária da atualidade também pode levar outros governos e instituições a auxiliar os moradores de Darfur, disseram.
Desde o anúncio da viagem da autoridade norte-americana, na semana passada, doadores mostraram-se mais dispostos a enviar ajuda, afirmou Marcus Prior, do Programa Mundial de Alimentação, da ONU.
Powell e Annan advertiram o governo do Sudão sobre a possibilidade de o Conselho de Segurança da ONU tomar alguma medida caso as milícias árabes Janjaweed continuem agindo impunemente e caso ele não levante os limites impostos à ação de grupos de ajuda.
Um importante membro do governo dos EUA afirmou que até 1 milhão de pessoas podem morrer neste ano nos campos de refugiados porque as milícias árabes, aliadas das forças oficiais, tinham destruído vilarejos, queimado plantações e avariado nascentes de água.
Pelo menos 1 milhão de pessoas fugiram de suas casas em Darfur nos últimos 18 meses por causa da violência. O governo sudanês nega dar apoio às milícias.