Os Estados Unidos se mostraram decididos hoje, domingo, a fazer o possível para esmagar a resistência no Iraque que, a poucas semanas da transferência do poder ao novo governo interino, põe em xeque os esforços para estabilização nesse país.
Em diversos programas da televisão americana, o secretário de Estado, Colin Powell, reconheceu que a onda de ataques e a insegurança no Iraque deixam evidente a vulnerabilidade do novo governo interino, que deve assumir o poder no dia 30 de junho.
Powell apareceu nos programas matutinos para declarar o otimismo dos EUA em relação ao pós-guerra no Iraque. No mesmo dia, um ataque suicida com carro-bomba em Bagdá deixou pelo menos 12 iraquianos mortos e treze feridos.
O atentado, terceiro do tipo em menos de uma semana, ocorreu pouco depois do segundo assassinato de um alto funcionário do novo governo em 24 horas.
"É difícil proteger todo um governo. Haverá um período muito perigoso, mas temos que derrotar estes assassinos", disse Powell ao canal "Fox News".
Powell se referia assim aos assassinatos de Kamal al Yarrah, diretor-geral de Cultura do Ministério da Educação, e de Bassam Kubba, vice-ministro de Assuntos Exteriores, encarregado das organizações internacionais e de cooperação.
A conselheira de Segurança Nacional, Condoleeza Rice, confirmou as declarações de Powell. Ela disse à rede CNN que os ataques não são novidade porque "os terroristas e as forças leais a Saddam Hussein" tentarão bloquear o processo político no Iraque.
"Haverá mais violência, porque essa gente não tem futuro num Iraque livre e sabem disso. Nossa resposta é a entrega da soberania, que será um marco para a democracia e a liberdade" no Iraque, disse Rice.
Pelo menos 607 militares americanos perderam a vida em combate desde o início da invasão e ocupação do Iraque, em março do ano passado.
Os ataques de grupos de resistência - decididos a torpedear o novo governo iraquiano - ofuscam os ganhos dos EUA no front diplomático, depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade o plano para transição política no país árabe.
Apesar dos ataques, Powell reafirmou a posição do governo de Washington. O secretário de Estado disse que a transferência do poder está mantida, contra tudo e contra todos, porque, de qualquer forma, "os rebeldes fariam o que estão fazendo antes e depois de 30 de junho".
A despeito dos perigos, os Estados Unidos sempre disseram que vão manter em solo iraquiano os 138 mil soldados, sob a premissa de que se retirar seria fazer concessões aos terroristas.
Powell explicou que o restabelecimento da segurança é, sem dúvida, uma das principais prioridades do governo dos EUA, porque sem esta seriam ainda mais dificultados os preparativos para as eleições no Iraque, previstas para o final de janeiro de 2005.
Em programa da rede NBC, Powell ignorou as críticas de diversos setores políticos em relação à inexistência das armas de destruição em massa no Iraque ou de seus vínculos com a Al Qaeda. O que importa,segundo ele, é que "já não há mais Saddam Hussein nem seu regime ditatorial".
A segurança civil, que facilita a reconstrução de um país devastado pela guerra e que eventualmente traz confiança dos investidores, também é uma meta do presidente do governo interino iraquiano, Ghazi Ajil al-Yawer, escolhido com aprovação dos EUA.
Por isso, a primeira tarefa será capacitar as forças de segurança iraquianas, treinadas pelos EUA e outros aliados, sem importar o tempo necessário para executar esta tarefa, disse al-Yawer à rede CNN.
Por outro lado, al-Yawer ressaltou que seu governo se opõe à demolição da infame prisão de Abu Ghraib - epicentro do escândalo pela tortura de prisioneiros nas mãos de soldados dos EUA - porque "é um símbolo das atrocidades do regime de Saddam Hussein" e "precisamos de cada dólar" para a reconstrução do país.
Indagado sobre o assunto, Powell disse à rede ABC que a prisão pertence aos iraquianos e, "se decidirem ficar