O secretário de Estado americano, Colin Powell, defendeu nesta sexta-feira a guerra no Iraque, garantindo que não fomentava o terrorismo, durante uma visita a Bagdá por motivo do primeiro aniversário do conflito.
O secretário também manifestou nesta sexta-feira, em Riad, ante os dirigentes sauditas preocupação com a detenção de vários reformistas nesta semana na Arábia. Cinco deles continuavam na prisão.
Durante uma entrevista à imprensa junto com o príncipe Saud Al Faysal, Colin Powell, que também se encontrou com o príncipe herdeiro Abdullah ben Abdel Aziz, informou ter "manifestado a eles sua preocupação".
Mas "nossa relação é forte" e "estamos unidos na guerra antiterrorista", declarou Powell, que acabava de efetuar uma breve visita ao Iraque.
Powell, cuja visita a Bagdá não foi anunciada, assegurou durante um encontro com a imprensa que a coalizão liderada pelos Estados Unidos continua sendo "sólida", apesar dos temores mencionados por vários de seus membros.
Sua visita ao Iraque tem um valor simbólico, já que no sábado se completa o primeiro aniversário da guerra, iniciada em 20 de março de 2003 pelos Exércitos americano e britânico.
A intervenção militar deu lugar, então, no dia 9 de abril, à queda do regime de Saddam Hussein, acusado por Washington de ter armas de destruição em massa. Até o momento, porém, elas não foram encontradas.
"Não acredito que a guerra no Iraque seja a causa da instabilidade no mundo", comentou Powell, ao ser perguntado sobre as declarações de seu colega francês, Dominique de Villepin, ao "Le Monde". Em entrevista ao jornal, o chanceler comentou que "a guerra no Iraque não trouxe mais estabilidade a este mundo".
Powell respondeu que "assistimos a ataques terroristas em todo o mundo que não têm nada a ver com o Iraque". Em sua opinião, os atentados da Arábia Saudita, Indonésia, Colômbia, Marrocos e outros lugares não têm ligação com a guerra do Iraque. "Eles se explicam porque há terroristas neste mundo que tentam atacar essas nações que tentam construir um futuro melhor para seus povos", frisou, avaliando que "a coalizão continua sólida".
"Cerca de 30 países continuam aqui e fazem bem seu trabalho. Várias nações reafirmaram seu compromisso desde as declarações espanholas", acrescentou.
Na Espanha, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero anunciou, depois de ganhar as eleições do domingo passado, sua intenção de retirar o contingente espanhol do país árabe, se a ONU não assumir um papel importante no território.
O presidente polonês, Aleksander Kwasniewski, disse ter sido "enganado" em relação às armas de destruição em massa do Iraque e a Coréia do Sul anunciou, por sua vez, que anulava seu projeto de enviar tropas ao norte do Iraque por motivos de segurança.
Durante a coletiva de imprensa de Powell, um grupo de jornalistas iraquianos abandonou a sala em protesto pela morte de dois repórteres de mesma nacionalidade do canal Al Arabiya na quinta-feira à noite por disparos de soldados americanos.
"Lamento a perda de vidas humanas, desses dois jornalistas, aos quais se prestaram homenagem por sua ação", declarou Powell, admitindo que "pode ter havia um erro e ocorreu a tragédia, mas não se fez nada deliberadamente".
Powell saudou às tropas e funcionários da coalizão e lhes pediu que continuem lutando contra a violência pelo bem do povo iraquiano, pela democracia e pelos direitos humanos.
O secretário dos EUA também se reuniu com o administrador civil americano no Iraque, Paul Bremer, e estava previsto um encontro seu com os membros do Conselho de Governo Provisório iraquiano.
No momento em que se multiplicam os atentados à medida que se aproxima o aniversário da guerra, milhares de xiitas e sunitas protestaram juntos em Bagdá para exigir "o fim da ocupação americana".