O secretário de Estado americano, Colin Powell, comparou hoje, quinta-feira, a luta antiterrorista ao combate feito contra o comunismo e o nazismo na Segunda Guerra Mundial à luta antiterrorista, em declarações concedidas à televisão pública francesa "France 3".
"Acho que podemos comparar o combate aos nazistas e ao comunismo ao combate contra o terrorismo, com o qual estamos todos comprometidos", assegurou Powell.
Ele disse que o "Iraque é uma parte do campo de batalha" da luta antiterrorista, "mas há outras".
Em particular, destacou os assassinatos perpetrados por militantes da Al-Qaeda na Arábia Saudita nos últimos dias, os atentados de Madri, em 11 de março, e o ataque terrorista em Istambul, em novembro do ano passado.
Para Powell, o terrorismo é "uma nova ameaça ante a qual temos que ter um mesmo enfoque, trabalhar todos juntos para dizer aos terroristas: 'vocês não conseguirão, os combateremos'".
Ele estimou, por outro lado, que o ataque do fim de semana passado em Khobar, a nordeste de Riad, que deixou 22 mortos, "não conduzirá à desestabilização da Arábia Saudita".
Interrogado sobre a resolução da ONU que está sendo discutida nestes momentos sobre o futuro do Iraque, o secretário de Estado afirmou que o debate não será "nem longo nem árduo".
Ele assegurou que as "inquietações" dos diferentes países "foram levadas em consideração", em alusão aqueles que se opuseram à guerra.
"O governo iraquiano terá a plena soberania e a resolução da ONU" demonstrará isso "claramente", acrescentou.
Powell mostrou-se convencido de que, no texto, se precisará que o Executivo iraquiano "convida as forças militares da coalizão a ficar (no Iraque) com seu consentimento, porque eles ainda não estão preparados nem são capazes de assegurar sua própria segurança".
Sobre esse mesmo tema, o comissário europeu de Exteriores, Chris Patten, assegurou hoje em Paris que o compromisso que Washington pode esperar dos europeus que rejeitaram a guerra tem "limites".
"Não podemos pedir às pessoas que se desdigam, sobretudo quando estimam" que o que defenderam "foi o certo", sustentou Patten, que qualificou a guerra no Iraque de uma "aventura lamentável".
"Eu mesmo teria dificuldades para convencer um político francês ou alemão a enviar homens à polícia do Iraque", argumentou.