Inicia hoje (15),em Lima, no Peru, um encontro preparatório sobre as mudanças climáticas rumo à Conferênciadas Partes das Nações Unidas para o Clima (COP 17) que acontecerá em dezembrodeste ano, em Durban, África.
O evento indígena éuma iniciativa da Coordenação Andina de Organizações Indígenas (Caoi), econtará com a presença de líderes e dirigentes das quatro organizações integrantes:Conselho Nacional de Ayllus e Marh Conselho Nacional de Ayllus e Markas doQullasuyu (Conamaq, Bolívia), Organização Nacional Indígena da Colômbia (Onic),Confederação dos Povos de Nacionalidade Kichwa do Equador (Ecuarunari) eConfederação de Comunidades do Peru Afetadas pelas Minas (Conacami).
O encontro tratarádas mudanças climáticas, efeito estufa e suas consequências, e fará uma análisedetalhada dos impactos provocados nos povos indígenas, do papel das minas e dosprogramas de Redução de Emissões por Desmatamentoe Degradação florestal (REDD), deiniciativa de colaboração das Nações Unidas em relação a países emdesenvolvimento. Além disso, analisará as negociações internacionaissobre as mudanças climáticas, no contexto da Convenção das Nações Unidas,Protocolo de Kioto e Plano de ação de Bali. Dentro dos mesmos temas serárealizado um balancete das conferencias COP 15 e 16 de Copenhague e Cancun,respectivamente, e perspectivas para a COP 17.
Oficialmente, ospovos indígenas não têm espaço nas discussões maiores, no entanto, empenhadosem contribuir com a reversão das mudanças climáticas, elaboraram propostas. Entreelas se destacam: aplicação de iniciativas pilotos de alguns exemplos comcomunidades indígenas na área social, ambiental, econômica e de direito; que ospovos indígenas possam produzir informes próprios, atividade que se realizarácom a participação de especialistas e representantes indígenas; a implementaçãode REDD+ em nível nacional deve estar em conformidade com os instrumentosinternacionais e com os direitos dos povos indígenas e da Pachamama.
Outra proposta é acriação de um órgão com estudantes indígenas, que deverá funcionar como umórgão assessor técnico de caráter consultivo para as negociações e para aformulação, aplicação, seguimento e avaliação de todos os órgãos subsidiários.
Tais propostas dospovos indígenas se baseiam no fato de que eles estão dentro da parcela dapopulação "mais afetada pelas mudanças climáticas e possuem conhecimentostradicionais e locais que necessitam ser plenamente reconhecidos e respeitadospelos esforços mundiais, nacionais e sub-nacionais para responder aos efeitos dasmudanças do clima”.
Por este motivo, ospovos indígenas defendem que devem ter oportunidades para participar de formaativa das negociações do mesmo modo que as outras partes.
Sobre a COP17
Conhecida como Reuniãodo Clima, a COP 17, acontecerá no início de dezembro deste ano em Durban,África. Obter um compromisso de 194 países na contenção dos gases do efeitoestufa, em especial o dióxido de carbono (CO2) proveniente de combustíveisfósseis, é uma das missões que se renova para a COP 17.
Nos anosanteriores, as Conferências do Clima não renderam negociações efetivas parareverter as mudanças climáticas que vêm provocando desastres em todo o mundo.Mesmo assim, povos indígenas e organizações sociais e ambientais se articulam acada ano para serem ouvidos e para cobrar negociações que visem efetivamente obem estar do planeta Terra e dos que o habitam.