Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2026

Poupança terá ganho próximo ao de fundos

Sexta, 20 de Julho de 2007 às 09:42, por: CdB

Com os juros praticados no Brasil nos níveis mais baixos da história, o Banco Central decidiu aproximar o rendimento da caderneta de poupança ao rendimento médio oferecido por outras aplicações financeiras.

Em nota, o Banco Central afirmou que a mudança garante que a TR não entrará no terreno negativo, o que diminuiria fortemente a rentabilidade da poupança (cuja regra de correção é TR + 0,5% ao mês) e do FGTS (TR + 3% ao mês).

É a segunda mudança no cálculo da TR promovida pelo governo neste ano. Em março, havia sido feita uma alteração para reduzir o rendimento da poupança, na tentativa de evitar que a caderneta se tornasse mais rentável do que fundos DI e de renda fixa negociados no mercado financeiro.

A mudança valerá quando o juro utilizado como referência para o cálculo da TR, a Taxa Básica Financeira (TBF), ficar abaixo de 11% ao ano. Na quarta-feira, a TBF, cujo valor oscila diariamente, estava em 11,097%. A TBF vem seguindo a tendência geral de queda dos juros da economia.

As novas normas estabelecem a metodologia a ser seguida para o cálculo da TR (Taxa Referencial) a partir do momento em que os juros de mercado ficarem abaixo de 11% ao ano. Até então, as regras não previam essa possibilidade. Agora, o BC fixou os redutores para juros de até 9% ao ano.

Hoje, a poupança rende a variação da TR mais uma taxa fixa de 0,5% ao mês. A TR, por sua vez, é calculada a partir da chamada TBF (Taxa Básica Financeira). E a TBF reflete o rendimento médio dos CDBs (Certificado de Depósito Bancário) negociados pelos bancos.

Sobre a TBF, aplica-se um redutor para se chegar à TR. O que o BC estabeleceu ontem foi que, quanto mais baixa for a TBF, menor será o redutor usado nesse cálculo.

Embora exista uma preocupação do BC em evitar que o rendimento da poupança ultrapasse a rentabilidade oferecida por fundos DI e de renda fixa (que acompanham a variação da taxa Selic, hoje em 11,5% ao ano), a recente queda dos juros exigia que o redutor usado no cálculo fosse revisto. Mantido o redutor anterior, a TR passaria a apresentar variação negativa em caso de juros de um dígito.

A medida beneficia poupadores e trabalhadores com contas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), já que, ao contrário do que vinha acontecendo ao longo dos últimos anos, a tendência é que essas aplicações passem a ser um pouco mais competitivas em relação aos juros médios oferecidos por outras aplicações.

Por outro lado, aqueles que têm financiamentos habitacionais corrigidos pela TR passarão a pagar juros mais próximos daqueles cobrados em linhas de crédito convencionais.

Em junho, a captação da caderneta somou R$ 2,411 bilhões. Foi o décimo mês seguido em que os depósitos superaram os saques. No final do mês passado, o saldo total mantido pelos poupadores estava em R$ 203,626 bilhões.

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