Pôsteres de campanha prometem um futuro promissor para a cidade de Falluja. Mas poucos moradores da área acreditam que a votação do próximo domingo possa ajudá-los nos esforços de reconstrução iniciados após uma grande ofensiva dos EUA.
E mesmo os interessados no processo eleitoral não têm idéia de quem sejam os candidatos.
- É essa a democracia que as eleições vão trazer? - perguntou Majid Muhammad, apontando para os prédios reduzidos a escombros quando soldados norte-americanos e iraquianos investiram, em novembro, contra rebeldes abrigados na cidade.
- Como podemos votar depois de toda essa destruição? Não temos fé na política. Não acho que ninguém vá votar em Falluja - declarou.
A investida liderada pelos EUA tinha por objetivo acabar com os insurgentes e encorajar a cidade mais rebelde do Iraque a envolver-se no processo eleitoral. O pleito acontece no dia 30 de janeiro.
Os rebeldes, que tentam minar a votação, acabaram expulsos de Falluja. Nesta segunda-feira, forças norte-americanas e iraquianas recomeçaram uma busca pelo militante jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, após informações de que ele pode ter entrado na cidade.
Um grande comparecimento às urnas em Falluja aumentaria a credibilidade das eleições e confirmaria a tese do atual governo do Iraque, sustentado pelos EUA, de que a democracia acabará por derrotar a insurgência.
Mas é difícil defender a democracia em uma cidade dominada pelo sentimento de rechaço aos EUA, uma área em que a maior parte das pessoas está mais preocupada em reconstruir suas casas bombardeadas ou queimadas durante os conflitos.
Os moradores de Falluja, em sua maioria sunitas, ainda sofrem com a falta de eletricidade e de água.
- Não temos idéia de quem sejam os candidatos. Como podemos ter informações quando não conseguimos ver televisão devido à falta de eletricidade? - perguntou o comerciante Khamis Merdis.
A localização dos pontos de votação a serem instalados na cidade permanecerá em segredo até pouco antes do pleito, já que as autoridades temem ataques de insurgentes. Por outro lado, a maior parte dos candidatos vindos da região não faz campanha com medo de atentados.
- Não saberia dizer o nome de nenhum candidato. Não há como votar -. afirmou Saad Yassin.