Por Catarina de Angola
Comunicadora popular da ASA - Recife-PE
Presidenteda Emater-PB participa de reunião da Rede Ater/NE
No último dia 1º de setembro, Geovanni Medeiros Costa, presidente daEmpresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater-PB),participou do Encontro de Formação da Rede de Assessoria Técnica e ExtensãoRural do Nordeste (Rede Ater/NE), que foi realizada na cidade do Recife, emPernambuco. Hoje no governo estadual da Paraíba, Geovanni, que já teve passagempor uma das organizações que integram a rede, apresentou o Sistema deGerenciamento de Atividades em ATER (SIGATER). Ferramenta criada pela Emater eque tem possibilitado um olhar sistêmico para as unidades de produção familiarno Estado. Na entrevista abaixo ele falou mais sobre o posicionamento políticodo Estado da Paraíba em potencializar processos produtivos agroecológicos edestacou a importância da Rede Ater/NE na criação do sistema.
O que é o SIGATER?
É um sistema de informações gerenciais de assistência técnica e extensãorural desenvolvido agora nessa gestão do novo governo que se instalou naParaíba e que nos ofereceu oportunidades, juntamente com a secretaria dedesenvolvimento agropecuário e da pesca. Desenvolvemos um trabalho importanteque foi o SIGATER, um sistema que contempla um sonho e que de certa forma essesonho foi concebido por alguns de nós que já estivemos na dinâmica da RedeAter/NE. Eu que passei pela AS-PTA e Jailson Lopes, que já esteve no CentroSabiá [organizações que até hoje compõem a rede]. E hoje nós somos concursadosda Emater-PB e estamos contribuindo para o desenvolvimento desse sistema que naverdade é um software que trabalha numa nova perspectiva de contemplar adiversidade das unidades de produção familiar. Ele contempla também atributosde sustentabilidade das unidades de produção, que antes não eram valorizados ounão eram percebidos. Experiência que, de certa forma, foi iniciada aqui, poispra nós foi concebido de forma coletiva, a partir da nossa experiência na RedeAter/NE. E essa presença aqui na reunião é de também compartilhar esseprocesso.
Vocês têm feito o lançamento das informações no SIGATER, mas também temfeito a ficha de cadastro das chamadas públicas?
Temos que fazer os dois cadastros, por enquanto. Existe o sistema quefoi estabelecido pelos critérios da chamada pública, o contrato que a gente ecompromete a postar aquelas informações. O que a gente percebe é que o SIGATERfoi mais além, ele contempla as informações requeridas pelo ministério, mas nósgeramos informações que contemplam a diversidade das unidades de produção etambém fornece indicadores sociais, ambientais e econômicos que permitedinamizar a economia de um município e até do próprio estado e orientar tambémas políticas públicas, a exemplo de organizar a produção em torno do Programade Aquisição de Alimentos (PAA). Estamos colaborando também com indicadoressociais ligados à saúde, às farmácias vivas, educação e perceber o que é queestá acontecendo em uma determinada comunidade e como é que pode apontar praoutros caminhos. Quer dizer, cada conselho municipal vai poder, de base dessasinformações geradas pelo diagnóstico desenvolvido pela Emater-PB, planejar comoé que pode subsidiar a população de questões do ponto de vista mais coletivo.
Como é agora enquanto estado levar esse olhar da agroecologia pra seraplicado enquanto política?
É desafiador, porque é romper com paradigmas. Alguns setores daagricultura na Paraíba estranharam o fato de, não só o presidente, mas ainstituição Emater – PB ter uma nova atitude em não apoiar iniciativas quecontemplem aplicação de agrotóxicos, de veneno. Significa dizer que a gente respeitaa opção de cada um, mas enquanto Emater–PB estamos fazendo a opção defortalecer a agricultura familiar em base agroecológica, mas tudo isso só épossível porque na Paraíba tem um governo de estado diferente. O governadorRicardo Coutinho, inclusive, conhece muito bem o significado da agroecologia,da produção de alimentos saudáveis, e também a equipe que ele constituiu. Osecretário de estado da agropecuária e da pesca, Marenilson Batista, também temraízes na agricultura familiar. Eu que fui professor de extensão rural, numaperspectiva da construção do conhecimento. Na equipe da Emater–PB tem tambémJailson Lopes, que teve uma participação importante no Centro Sabiá, emPernambuco, que trabalhou também nessa dinâmica. Então, nós estamos reunindo essasforças e o momento é oportuno para que a agricultura familiar em baseagroecológica se fortaleça cada vez mais na Paraíba, mas ainda se tem muitosdesafios.
O que significa para as famílias agricultoras todo esse trabalho que vemsendo desenvolvido no estado, a partir da agroecologia, e da criação dessesistema?
Estamos trabalhando com esse sistema na lógica de que o assessor técnicotem um papel na construção do conhecimento e na relação com as famílias, onde afamília protagonista no desenvolvimento da sua unidade de produção e com apossibilidade de dialogar com o técnico para também enriquecer suasexperiências. Lá na Paraíba nós temos outras instituições a exemplo da ASPTA,PATAC e COOPTERA que estão trabalhando as chamadas públicas de ATER, assim comonós. E a atuação da Emater–PB tem sido de tentar evitar sombreamento de ação,de maneira que a assessoria pública possa abranger o maior número de famíliasagricultoras sem a ideia da concorrência com essas organizações. A gente querque a agricultura familiar seja cada vez mais fortalecida e principalmente umaagricultura que não traga em seus princípios aplicação de agrotóxicos, mas sima produção de alimentos saudáveis. Para elaborar o SIGATER nós fizemos umintercâmbio de 30 técnicos da Emater que estiveram presentes na sede da ASPTAfazendo o exercício de processo de abordagem sistêmica de propriedade.
A Emater – PB criou o sistema a partir das demandas do diagnósticopresente nas chamadas públicas de ATER que participa ou é um movimento anteriorque se adequa para além desses diagnósticos?
Na verdade era um projeto que tínhamos, eu e Jailson, em perceber umapropriedade não só pelo aspecto da renda, mas também de outros aspectos desustentabilidade importantes, como os bancos de sementes, gerando autonomiapara as unidades de produção, suporte estratégico forrageiro, contribuindo paraa resistência desses agroecossistemas e tantas outras ações que a gente jápercebia que eram importantes. E com essa nova missão enquanto presidente daEmater, nós tivemos oportunidade de ampliar, de dinamizar e de agregar em nossaequipe de trabalho algumas capacidades e talentos que tinham dentro da EMATER,a exemplo dos analistas de sistemas que também incorporaram essa equipe pradesenvolver o SIGATER, com essa percepção de valorizar a diversidade presentenão só das unidades de produção familiar, mas também de construir um banco dedados que possa também fazer o diagnóstico dos territórios, das comunidades,dos municípios. Só pra teres ideia, a Emater–PB já estabeleceu convênio com 128prefeituras da Paraíba, até o momento. O que significa que nós da Emater–PB eos gestores públicos municipais estamos dizendo que a agricultura familiar debase agroecológica é importante para os municípios, estamos desenvolvendo umaação conjunta e esse sistema veio a favorecer esse convênio. A gente estágerando um banco de dados, que pode dar percepções importantes pra o gestor,como também pra os movimentos sociais, os conselhos de desenvolvimento rural,para colaborar no plano municipal de desenvolvimento e várias iniciativas.