Alvos policiais foram novamente atacados na madrugada desta terça-feira na capital paulista. No bairro do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, pelo menos quatro homens em um Santana dispararam vários tiros de metralhadoras contra o 47º Distrito Policial.
Várias viaturas foram atingidas, mas ninguém ficou ferido. O veículo foi encontrado abandonado no município de Embu das Artes, que faz limite com a zona sul da capital pauista.
No Jardim São Marcos, também em Embu da Artes, na Grande São Paulo, um guarda civil municipal foi baleado no pé. A viatura do soldado foi cercada por três homens. Os criminosos estavam atrás de um muro e esperaram a aproximação do carro.
Os bandidos atiraram várias vezes contra o veículo. O guarda civil foi encaminhado para o Pronto Socorro Central de Embu e não corre risco de vida.
Outros dois postos policiais foram alvo de ataques no final da noite desta segunda-feira. De acordo com a Rádio CBN, os atentados contra alvos policiais desde o último final de semana na Grande São Paulo e no litoral já chegam a 13.
Um dos ataques ocorreu num posto policial do Grajaú, na rua São Caetano. Cinco homens atiraram contra a base. Na troca de tiros, um dos homens foi baleado e socorrido em seguida. Os outros quatro fugiram a pé e de moto. Não há informações sobre policiais feridos.
O outro atentado ocorreu num posto do Jabaquara, também na zona sul da cidade. Houve vários disparos de bala contra a base. Não houve feridos ou presos.
O promotor Roberto Porto, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), disse que duas pessoas que participaram da onda de atentados contra postos policiais em São Paulo já foram identificadas. O Disque-Denúncia já começou a receber informações sobre os atentados, pelo número 0800-156315.
O Ministério Público acredita que o crime organizado está por trás da série de atentados contra postos policiais ocorrida entre a noite de ontem e a madrugada de hoje. A Secretaria de Segurança Pública admitiu que sabia da possibilidade de ataques, com base em informações da Secretaria de Administração Penitenciária. A segurança de prédios públicos e delegacias foi reforçada, mas as bases comunitárias da Polícia Militar ficaram desguarnecidas.
Com os atentados, dois policiais militares foram mortos e seis ficaram feridos, além de dois guardas municipais. Os ataques abriram ainda uma polêmica em relação à segurança das bases comunitárias, pois a maioria não tem sequer vidros à prova de balas. Nos últimos dois meses, 12 bases comunitárias foram alvos de atentados.
O secretário de Segurança, Saulo de Castro Abreu Filho, admitiu que os atentados podem ter sido comandados de dentro da prisão e podem ser uma reação à ação da polícia, que tem prendido entre mil e 1,5 mil pessoas por mês.