O Posto de Saúde Nagib Saliba, situado no Centro da Pedreira Prado Lopes, no Bairro São Cristóvão, Zona Noroeste de Belo Horizonte, foi fechado na manhã da última segunda-feira logo após ter sido palco de mais um ato de violência.
Uma faxineira do posto quase foi alvejada por um tiro quando colocava o lixo na portaria. O tiro, disparado por um estranho, não acertou a mulher, mas ela teve de ser medicada no Hospital Odilon Behrens por causa do susto que levou. Como protesto, os funcionários do posto paralisaram o atendimento.
Uma funcionária do posto de saúde, que não quis se identificar, afirmou que traficantes da pedreira teriam avisado que não querem a presença constante da imprensa e da polícia na favela.
A secretaria municipal de Saúde, através da assessoria de imprensa, informou no final da tarde de ontem que o posto voltou a funcionar parcialmente no período da tarde. Alguns casos foram atendidos, mas grande parte dos funcionários havia deixado seus postos de trabalho e foram embora, com medo da violência.
A faxineira, que foi liberada à tarde do hospital, contou para outros funcionários do posto de saúde que havia saído do prédio do Nagib Saliba às 9h40 de ontem, para colocar cestos de lixo do lado de fora, na Praça Santa Cruz.
Ao fazê-lo, viu quando um estranho se aproximou, com um revólver na mão, e fez um disparo que quase a atingiu na perna direita. O barulho do tiro chamou a atenção dos demais funcionários do posto, que viram a faxineira entrar correndo no prédio, chorando e gritando que 'havia sido baleada'.
Os funcionários verificaram que a mulher não tinha sido atingida, mas, como estava muito assustada, decidiram levá-la para o Hospital Odilon Behrens.
Os funcionários, a gerência do posto e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Prefeitura de Belo Horizonte, Robson Itamar, fizeram então uma reunião, quando decidiram que o posto de saúde iria ser fechado. Segundo eles, o ataque contra a faxineira, as ameaças de traficantes e a pressão exercida por muitas famílias que 'estão impondo um regime de medo' não permitem que nenhum deles trabalhe com segurança.
Os funcionários do posto contaram que na segunda-feira da semana passada, dia 29 de setembro, um homem entrou no posto com um revólver na mão, exigindo que sua mulher fosse atendida. Ele só se acalmou quando ficou sabendo que a sua esposa já estava sendo atendida há algum tempo, mas o episódio reforçou o clima de insegurança no posto.
Posto de Saúde de BH protesta contra violência
Segunda, 06 de Outubro de 2003 às 21:54, por: CdB