A possível indicação do senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR), que teria aceito o convite do candidato de seu partido, José Serra, para concorrer a vice na chapa que pretende chegar ao Palácio do Planalto, em outubro deste ano, foi mal recebida por um dos líderes nacionais do Democratas (DEM), o candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro e ex-prefeito da capital fluminense, Cesar Maia. Em sua página, no Twitter, Maia desdenhou a informação divulgada por um jornal conservador do Estado de São Paulo.
"Bem,...não creio que o Paraná seja mais importante que o Brasil. Prefiro aguardar. Afinal Serra não é Dunga", escreveu Maia.
O diário paulistano Folha de S. Paulo atribuiu a notícia a "fontes do PSDB", que davam "como certa a escolha de Dias para a vaga". Depois que o ex-governador mineiro Aécio Neves recusou a indicação, o vácuo de poder no ninho tucano vem provocando uma série de disputas internas entre os aliados. Mais cedo, ainda no Twitter, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, havia confirmado a informação:
"Falei agora com o Sergio Guerra (presidente nacional do PSDB). O vice será o Álvaro Dias", disse.
Filho de Cesar Maia, o presidente nacional do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), disse a jornalistas que a escolha de Dias não se justifica. Ele esperava que o vice na chapa do candidato tucano fosse do que ele considera "o principal partido da aliança política".
– Não há ameaças e o DEM vai indicar o vice no dia 30 (deste mês), num processo de escolha com a participação direta de Serra e do PSDB – disse Maia.
O deputado também afirmou que, por enquanto, ainda está de pé a aliança com os parceiros tucanos.
– Aprovaremos nosso candidato a vice na convenção do partido no dia 30 de junho num processo com a total participação de José Serra – afirmou, sem cogitar a possibilidade de que Álvaro Dias possa ser o escolhido de Serra.
Alianças partidas
A pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta quarta-feira, complicou ainda mais a campanha do candidato tucano, em nível nacional. Segundo o estudo, Dilma Rousseff (PT) passou Serra em 5 pontos percentuais, em apenas algumas semanas, e deixou para o adversário questões vitais para a construção de seus palanques nos principais centros urbanos do país. O PMDB, no Estado de Santa Catarina, por exemplo, é pressionado pela direção nacional partido para romper a aliança com o PSDB e o DEM para apoiar a candidata petista. A decisão final será anunciada neste sábado, após o resultado da convenção regional. Setores do PMDB, no Estado, deseja lançar candidato próprio e, com isso, desmanchar o palanque de Serra.
– Esse Sul está um horror – desabafou a jornalistas o presidente do PSDB-SC, Beto Martins, sem citar o Paraná, onde o PDT de Osmar Dias seguirá rapidamente para o lado do PT, caso não se confirme a indicação do irmão, Álvaro Dias, para vice na chapa tucana.
A ascenção de Dilma também atrapalhou a aliança entre o PP o PSDB, em nível nacional. Enquanto Serra liderava as pesquisas, estava tudo decido, mas após a reviravolta ocorrida nas últimas horas, o partido optou pela neutralidade e, no dia 7 de julho, pretende anunciar seu apoio informal a Dilma e manter sob seu comando o Ministério das Cidades, ocupado por Márcio Fortes.
– É melhor fazer desta forma para evitar ter que fazer intervenção em um ou outro Estado – disse o presidente do partido, senador Francisco Dornelles (RJ).