As declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, durante a comissão geral realizada nesta terça-feira, repercutiram na Câmara. O presidente da Casa, Marco Maia, disse ter entendido o recado de que há uma preocupação do governo quanto ao aumento de gastos, em função da crise econômica internacional.
"O momento é muito delicado e temos que tratar este momento com a responsabilidade que nos é colocada pelo próprio momento”, disse o presidente. “De fato, nós temos que discutir com muita cautela todas as medidas que possam resultar em algum tipo de aumento de gastos ou algum tipo de dificuldades para se manter o controle da inflação, o controle dos gastos públicos."
Segundo o líder do governo, Candido Vaccarezza (PT-SP), a contenção de gastos proposta pelo ministro Guido Mantega não atinge o crescimento do País, mas o líder não descartou medidas como cortes nos reajustes de servidores.
"Estamos cuidadosos em não promover nenhum gasto desnecessário. Mas não vamos comprometer investimentos e a convicção que nós temos é que o Brasil tem força e pode enfrentar essa crise internacional. A crise é deles, não é do Brasil. Então, nós não vamos pisar no freio da economia”, disse Vaccarezza. “ Eu acho que tem uma dificuldade em relação ao pedido do Judiciário. Já existe um repasse do governo federal para o Judiciário. Na realidade, um reajuste significaria um aumento desse repasse."
Medidas insuficientes
Já a oposição considerou insuficientes as medidas anunciadas pelo governo para enfrentar a crise econômica. É o que pensa o líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). "Não atingem os pontos principais de dinamização industrial, de aumento do poder competitivo da indústria nacional e, sobretudo, investir em capital humano. O Brasil tem que se tornar a sociedade do conhecimento, a sociedade do saber e isso tudo só se faz com investimento em capital humano."
Duarte Nogueira, líder do PSDB, aponta a atual crise política no governo como um dos entraves ao crescimento do País. "A crise política que o governo atravessa paralisa os investimentos. Os investimentos têm sido menores que no ano passado, com dois fatores muito ruins: inflação mais alta, uma economia indexada, uma memória inflacionária ainda presente e altas taxas de juros, o que inviabiliza, a médio prazo, o custo financeiro de novos investimentos."
O líder Duarte Nogueira cobrou mais fiscalização permanente para que haja uma investigação profunda quanto às recentes denúncias sobre irregularidades em vários ministérios.
Continua:Mantega pede apoio dos Três Poderes para enfrentar crise internacionalPara oposição, governo contribui para fragilizar a economiaSegundo base aliada, gestões petistas prepararam o PaísReportagem – Idhelene Macedo/Rádio CâmaraEdição – Newton Araújo