Ao vincular meus comentários sobre a crise na Líbia às posições do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e do ex-premiê de Cuba, Fidel Castro, sem fazer as devidas distinções, o jornal O Estado de S.Paulo desinforma seus leitores. Nós três coincidimos apenas na avaliação sobre a cobertura da mídia internacional num 1º momento da crise e nas intenções dos Estados Unidos de comandar o seu desfecho.
Nunca manifestei apoio ao regime do ditador Muamar Khaddafi ou me omiti sobre a repressão. Basta ler em meu blog o que escrevi todos os dias sobre a questão. Apenas disse o óbvio: que a situação na Líbia não era como as agências internacionais estavam divulgando num 1º momento. Isto a própria rede norte-americana de TV CNN reconheceu, ao repercutir matérias do correspondente da TV Telesur em Trípoli.
Reiteradas vezes encareci a necessidade de que fossem tomadas medidas cabíveis contra a repressão desencadeada pelo regime do ditador Khaddafi. Defendi o que agora acaba de acontecer no Conselho de Segurança (CS) da ONU por decisão unânime dos 15 países que o integram - Brasil, inclusive.
Pela ONU, friso, não pelos Estados Unidos de forma unilateral, como eles fizeram na 6ª feira - logo eles que sustentaram as ditaduras do Egito e da Tunísia e sustentam todas as monarquias árabes (a maioria ainda absolutistas), começando pela da Arábia Saudita.
Ao fazer esta ponderação, insisto: este maniqueísmo de uma parte da imprensa (no caso em que me manifestei, de grande parte) pode servir para fazer luta política, mas não serve ao jornalismo e aos fatos históricos, que estão aí para provar quais são os objetivos da diplomacia norte-americana. Este comportamento da mídia serve aos interesses deles norte-americanos e não aos do Brasil.
Posição da mídia só serve para luta política
Segunda, 28 de Fevereiro de 2011 às 05:35, por: CdB