Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

Português é menos influente do que falado

A influência da língua portuguesa no mundo não corresponde ao seu número de falantes, conclui um estudo encomendado pelo governo português. (Leia mais)

Quarta, 21 de Maio de 2008 às 12:39, por: CdB

A influência da língua portuguesa no mundo não corresponde ao seu número de falantes, conclui um estudo encomendado pelo governo português.

A pesquisa constatou também a dispersão da política da língua e o fraco empenho dos sucessivos governos portugueses na sua promoção.

O estudo foi encomendado pelos ministérios da Educação e das Relações Exteriores ao reitor da Universidade Aberta de Portugal, Carlos Reis.

Carlos Reis afirmou que as conclusões finais só serão alcançadas no final de maio, mas disse que já foi possível tirar conclusões preliminares.

– Existe uma grande disparidade entre o universo falante de português e a efetiva influência internacional da língua portuguesa – afirmou o professor, destacando que "somos mais de 200 milhões de falantes".

Carlos Reis adiantou que o estudo foi iniciado em fevereiro e teve como base documentos sobre o ensino da língua no exterior recolhidos com o Parlamento português, com a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e com a Fundação Calouste Gulbenkian.

Além do Instituto Camões e do Conselho das Comunidades Portuguesas, o reitor da Universidade Aberta contatou também alguns coordenadores do ensino de português no exterior - Suíça, Reino Unido, Espanha e África do Sul.

Sobre a promoção da língua portuguesa, Carlos Reis sublinhou que "se fazem muitas coisas bem", mas "muitas vezes de uma maneira dispersa".

– Tem de haver uma racional articulação dos esforços – disse o reitor, defendendo que, "com o mesmo dinheiro", poderia se fazer um ensino muito melhor.

Carlos Reis concluiu ainda que, "até agora, não houve um efetivo envolvimento nesta matéria".

– Ainda não houve uma efetiva vontade política de manter uma política de língua séria e credível – afirmou.

– Aparentemente, há agora essa vontade política de ir além da retórica –  acrescentou o professor, que sublinha que, "coincidência ou não", essa vontade surge "no momento em que também o Brasil aposta muito na política de língua".

– É uma causa comum e só temos vantagens em entender que é preciso fazer uma aliança estratégica com países de língua portuguesa –  defendeu.

No início do mês, o ministro português das Relações Exteriores, Luís Amado, anunciou que o primeiro-ministro, José Sócrates, apresentaria até o final de maio uma nova estratégia para a promoção da língua e da cultura portuguesa em outros países.

De acordo com o ministro, o anúncio vai "antecipar a cúpula da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP], prevista para julho, em Lisboa", cujo tema "é precisamente a língua portuguesa".

Segundo Luís Amado, a nova estratégia de Portugal já tem financiamento garantido pelo orçamento do país e "já está sendo trabalhada" pelos ministérios das Relações Exteriores, da Cultura e da Educação.

Em linhas gerais, ela vai contemplar "vários aspectos da política do governo a desenvolver nos próximos anos", como "a ratificação do acordo ortográfico, um reforço do ensino da língua portuguesa a estrangeiros e às comunidades portuguesas e uma expansão desse ensino através, por exemplo, dos programas de ajuda ao desenvolvimento".

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