O principal rali do mundo, o Lisboa-Dakar, vai começar no dia 31 de dezembro em frente a um dos maiores símbolos de Portugal. A partida para a corrida de 9.043 km será na praça que existe ao lado do Mosteiro dos Jerônimos, um dos principais monumentos da capital portuguesa e símbolo do país.
- Conheci os organizadores do rali Dakar há 20 anos e temos muitas semelhanças. Eles organizaram o torneio de tênis Roland Garros e nós organizamos o nosso pequeno Roland Garros, o Estoril Open. São empresas com uma filosofia semelhante - conta João Lagos, presidente da Lagos Sport, responsável por trazer o início da prova para Portugal.
No total, o rali, que se tornou conhecido quando começava em Paris, vai ter neste ano 252 pilotos de motocicletas, 184 de carros e 74 caminhões. Cinco concorrentes vêm do Brasil: Jean de Azevedo e Bernardo Bonjean, nas motos, correndo com máquinas da KTM; nos automóveis Klever Kolberg com um Mitsubishi e Paulo Nobre com um Nissan; e nos caminhões André de Azevedo, com um Tatra. Entre os automóveis, este ano surge um novo concorrente de peso: o espanhol Carlos Sainz, campeão mundial de ralis, que corre pela equipe de fábrica da Volkswagen. No grupo dos principais concorrentes estão o francês Stephane Peterhansel, a alemã Jutta Kleinshmidt, o francês Jean-Louis Schlesser e o português Carlos Sousa.
Segundo Lagos, para trazer o evento para Portugal foi necessário um investimento entre US$ 4,5 milhões a US$ 5 milhões. Desse total, 60% veio do governo português e o resto é repartido entre as prefeituras de Lisboa e Portimão e alguns investidores privados.
- É uma quantia que considero quase ridícula relativamente ao retorno que isto vai ter para o país. Na hotelaria, o impacto é brutal. No Algarve (região no sul de Portugal), por onde o rali vai passar, não há um quarto livre de hotel e em Lisboa a situação é muito parecida - afirmou.
Ao contrário do que acontecia nos anos anteriores, o rali vai ter duas provas classificatórias em Portugal, antes de seguir para a África. Nos anos anteriores, havia apenas uma curta etapa. Depois da capital portuguesa, o rali segue para Portimão, no Algarve, onde haverá um evento de gala e um réveillon, entrando na África com mais de 180 km de corrida. Boa parte dos 9.043 km do rali são conexões entre trechos onde se realizam as etapas de classificação.
Este ano a corrida vai ter um patrocinador português: o Euromilhões, o braço português de uma loteria jogada em sete países da Europa, que em Portugal é distribuída pela entidade beneficente Santa Casa de Misericórdia de Lisboa.
- Nos últimos anos, o Dakar tinha patrocínio espanhol, da Telefónica, que este ano optou por patrocinar o campeão mundial da Fórmula 1, Fernando Alonso. Pareceu-nos este ano uma excelente oportunidade para uma marca portuguesa tentar ficar com o patrocínio - conta Lagos.
Ele diz que apenas fez a ponte entre a Santa Casa e a ASO, que organiza o Dakar.
- Este ano o patrocínio principal é exclusivamente português. O normal é que no próximo ano os organizadores do Euromilhões dos outros países também participem do patrocínio.
O rali terá também uma ação voltada para a sociedade, tanto na África quanto em Portugal. Na Lagos Sport, a responsável por essa área é Joana Lemos, uma piloto portuguesa que já ganhou o Paris-Dakar na competição feminina em 1993.
- O Dakar tem tradição de desenvolver ações sociais, especialmente na África. Vamos atuar em três eixos: ambiente, melhoria de vida das pessoas e reflorestação.
Na área de limpeza e coleta de lixo, o objetivo é não deixar marcas da passagem do rali pelos locais percorridos pelos competidores. Na melhoria de vida das pessoas, estão sendo desenvolvidos 65 projetos, que incluem a construção e reforma de escolas e abertura de poços d'água na África, o que repres