O FMI aprovou esta semana, finalmente, um empréstimo para Portugal de 26 bi de euros (US$ 36,81 bi), como parte do pacote de ajuda que prestará ao país em conjunto com a União Europeia (UE). A aprovação disponibiliza cerca de cerca de 6,1 bi de euros imediatamente para a nação lusitana.
Na última 2ª feira, os ministros de Finanças da UE já haviam aprovado a sua parte - os outros 52 bi de euros. Portugal se torna, assim, o 3º país da zona do euro a receber um socorro multibilionário, depois da Grécia e da Irlanda.
Agora, comunicado do próprio FMI expõe a contrapartida: o governo português receberá o dinheiro "concebido para dar um fôlego antes que se endivide nos mercados, desde que ponha em andamento as medidas políticas necessárias para colocar nos trilhos a sua economia."
O governo que Portugal precisa
As "medidas políticas necessárias", ou de "austeridade" como cobra o FMI implicam em altíssimos custos sociais - o FMI e a UE prestam o seu socorro, mas exigem grandes cortes nos programas sociais e nas dotações para a educação, saúde, aposentadorias, além da implementação máxima de políticas de privatização.
Assim, Portugal vai caminhar daqui para a frente, como caminha a Espanha, há uma semana com ruas e praças ocupadas por gigantescas manifestações em cobrança por solução da crise econômica e contra o governo que enfrenta eleições regionais amanhã.
Também em Portugal as manifestações vão crescer e o resultado das eleições de junho é imprevisível. Pior, nem o pacote agora referendado pelo Fundo, nem o resultado das eleições portuguesas de junho, qualquer que seja, vão resolver o problema do pais.
Não resolverão porque Portugal precisa de um governo não para fazer o ajuste imposto pelo pacote do FMI-UE, mas sim para reestruturar a economia e o Estado portugueses. E fazê-lo sem desmontar o Estado de Bem Estar Social a tão duras penas conquistado por diversos integrantes da UE.
Rio de Janeiro, 03 de Setembro de 2026
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