Nada é mais Natal que a Feira da Providência. O frenesi das compras vibra de forma quase palpável. Nada importa, o que vale mesmo é comprar e ajudar. Percebe-se a força de quase meio século de edição, juntando gente cheia de boa intenção. É uma bela festa, que começou no dia 05 de dezembro e vai até o dia 9 no Riocentro, no Rio de Janeiro. São cinco dias de cores, sons e aromas. O impacto olfativo de algumas barracas é maravilhoso, especialmente a que representa Portugal. País irmão, com uma enogastronomia espetacular. No ar o cheiro do bolinho de bacalhau quentinho dá água na boca e fila no caixa! Sensacional, crocante, regado ao azeite extra virgem Tamegão, lá de Nelas ó pá!
Esse ano, a Quinta do Caleiro trouxe o vinho do mesmo nome, reserva do Douro 2005 com 13 graus, o vinho veio lá de Gouvinhas, precisamente de Saborosa, nome da Vila que enviou o confrade Felipe Teixeira, filho de Jose Manuel A. Teixeira (que produz e engarrafa o vinho) e membro dedicado da Confraria dos Enófilos da Região Demarcada do Douro. Coisa de gente grande, que conhece vinho há séculos e sabe que esse assunto é muito sério. Essa confraria, segundo Felipe é formada por membros rigorosamente selecionados, apenas cem. Para ingressar nesse seleto grupo é prioritário fazer algo pelo vinho do Douro, meros espectadores são dispensados, no sentido real deve-se meter a mão e fazer a diferença. E ele aqui, na barraca de Portugal é incansável, trajando a veste solene e suando em bicas mostra porque faz parte da Confraria do Douro. O sorriso contagiante é a assinatura desse confrade, fiel divulgador dos vinhos do Douro pelo mundo.
As vestes de um confrade do Douro é marcada por significados que caracterizam os amantes do vinho em Portugal: a capa amarela puxando para o tom de bege representa o vinho tratado velho, o chapéu com a echarpe de seda tem dois sentidos: a de cor verde é designada para os fundadores e a de cor ruby para os membros efetivos e atuantes. Todos os membros usam um provador de vinhos tratado em prata, que fica pendurado no pescoço por uma fita bordada. Essa vestimenta é usada pelos viticultores há 250 anos.
Por citar tradição, a barraca de Portugal trouxe os vinhos do Porto, muito procurados. A curiosidade maior recai sobre os nomes Tawny e Ruby. Tratam-se de estilos de Porto que são diversificados pela fonte e qualidade dos vinhos e pela maneira como são envelhecidos. O Ruby é simples e jovial. Teoricamente é um vinho que passou por pouco tempo em tonéis de madeira, entre dois a três anos. Assim ainda conserva a fruta e principalmente a cor que lhe dá nome. Muito bom para aperitivo, deve ser gelado e seu sabor adocicado acompanha bem queijos fortes como o roquefort, o gorgonzola e o silton.
O estilo Tawny é considerado por um vinho mais velho, que passou por cinco a seis anos em tonéis. O vinho nasce bem escuro (como é o Ruby) e vai clareando “aloirando”, tornando-se mais Tawny. “Cá” temos alguns exemplares como o Real OPorto da Companhia Velha 40 anos – Tawny, um valoroso primor e um Porto Réccua Tawny engarrafado por Caves Vale do Rodo, bem mais simples, muito procurado para o dia-a-dia. Quanto às cepas, os Portos podem ser produzidos a partir de mais de 80 cepas diferentes. Desde os anos 70, o foco recaiu sobre a Touriga Franca, Touriga Nacional e a Tinta Barroca e Roriz e o Tinto Cão.
Delícias de Feira de Providência, as conservas Ramirez são indispensáveis, assim como o queijo da Serra da Estrela, feito com leite de ovelha, para comer de colher. O restaurante da Barraca de Portugal está representado por dois gigantes da cozinha portuguesa – a Casa de Viseu lã da Penha e o Arouca Barra Clube, onde são servidos pratos deliciosos como o Bacalhau a Aldeia e o Rojão Português feito com carne de porco, que são acompanhados com o Vinho Verde Acácio Tinto. Também são encontradas, desde o Chouriço, a Alheiras e a Morcela (deliciosas lingüiças tradicionais), até os deliciosos doces típico
Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026
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