Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Porto Alegre vai se inspirar na Índia para o próximo FSM

Sexta, 16 de Janeiro de 2004 às 08:15, por: CdB

"A Ásia está definitivamente no Fórum Social Mundial". A frase é do sociólogo Boaventura de Sousa Santos, intelectual que nutre forte ligação com o FSM desde a sua criação e que minutos antes da abertura do evento se diz impressionado com o que vê na Índia. São lições que o processo de mundialização do Fórum, que pretende levar o slogan de "um outro mundo possível" para outros países, certamente aprenderá com os indianos. Após uma reunião do Comitê Internacional, onde o comitê local fez uma apresentação final da estrutura de funcionamento do encontro, a unanimidade era a de que a forma como a Índia organizou o Fórum deve inspirar Porto Alegre, que receberá o evento no ano que vem. A edição indiana do Fórum começa hoje e se encerra no dia 21.

"Os indianos se apropriaram de forma criativa de tudo o que ocorreu nos três primeiros Fóruns. Os materiais locais utilizados na construção das estruturas físicas do Nesco Grounds (centro de exposições onde acontecerão as atividades) e a maneira como o programa foi estruturado são muito interessantes", acredita Boaventura.

O destaque na programação do Fórum é o grande número de atividades chamadas de autogestionadas, ou seja, que não foram propostas pela comissão organizadora e são desenvolvidas com autonomia pelas entidades participantes. Ao todo, são mais de 1.200, propostas por 93 países. A Índia obviamente encabeça a lista, com o Brasil em segundo. O país inscreveu 109 oficinas no FSM.

"Aceitamos todas as inscrições solicitadas. E as entidades pediam espaços que reunissem uma grande quantidade de pessoas", conta Kamal Mitra Chenoy, do comitê indiano. Segundo os próprios participantes do Fórum, é nas atividades autogestionadas que os movimentos realmente se organizam e trocam experiências. Para Francisco Whitaker, da Comissão de Justiça e Paz da CNBB (Conferência Nacional de Bispos do Brasil) e membro do Comitê Internacional do FSM, a tendência é a de que essas atividades ocupem cada vez mais espaço na programação do evento. "Isso vai se repetir em Porto Alegre", garante.

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