Rio de Janeiro, 21 de Janeiro de 2026

Porteiros iam matar rapaz em cativeiro, diz polícia

Sexta, 04 de Maio de 2007 às 07:13, por: CdB

Agentes da Divisão Anti-Seqüestro (DAS) tiveram apenas uma hora e meia para evitar o assassinato do universitário Osmar Saraiva, 21 anos, mantido 13 dias em cativeiro por quadrilha formada por porteiros. Segundo a polícia, o crime seria cometido após o pagamento do resgate, que aconteceria na noite de quarta-feira, quando o rapaz foi libertado.

- Acredito que Osmar seria morto depois que recebessem o dinheiro porque a vítima reconheceu alguns dos criminosos. Ele já os tinha visto com o porteiro do prédio em que morava (Merivanaldo Pio de Moraes). Desconfiamos de Merivanaldo porque ele perguntava muito à família da vítima se a polícia estava no caso - disse o delegado-titular da DAS, Fernando Moraes.

Três seqüestradores - entre eles o porteiro do prédio da família do jovem - foram presos, ainda na quarta à noite, e o quarto foi capturado na madrugada de quinta-feira. O cativeiro ficava num quarto em um edifício de luxo na Barra da Tijuca, próximo ao de Osmar.

Às 21h, os policiais descobriram que o dinheiro seria entregue e começaram a planejar a libertação. Porém, eles não sabiam onde o jovem era mantido porque não conseguiram grampear o celular usado pelos bandidos para negociar o pagamento com o pai da vítima, o administrador aposentado Oswaldo Saraiva.

O primeiro a ser preso foi Edivaldo Ferreira Pessoa, na favela Rio das Pedras, em Jacarepaguá. Era no quarto dele, em prédio da rua Comandante Júlio de Moura, que funcionava o cativeiro. Ele também era o negociador do bando e, durante o seqüestro, telefonou sete vezes para o pai da vítima. Numa das conversas, o porteiro diz que vai matar o estudante e Oswaldo caso o resgate não fosse pago. Logo depois, passa o telefone ao rapaz, que afirma estar cercado de granadas em Duque de Caxias.

Edivaldo foi seguido pelos policiais. Um deles entrou na mesma van que levou o porteiro da Barra até a favela. Um carro da DAS foi atrás. Em Rio das Pedras, o investigador se escondeu atrás de um barraco e ouviu telefonema do seqüestrador a Oswaldo, em que o bandido sugeriu que Merivanaldo levasse o aposentado até o local do pagamento.

Outra equipe seguiu o pai do jovem e Merivanaldo. Na avenida Ayrton Senna, na Barra, abordaram o carro e prenderam o porteiro. De lá, foram ao cativeiro onde Edimilson Ferreira Pessoa, irmão de Edivaldo, foi detido. Osmar estava na cama com as mãos amarradas para trás, os pés atados e o rosto coberto por uma touca e fita adesiva. Durante o seqüestro, ele foi agredido e só se alimentou de biscoito e água.

O último a ser pego foi o porteiro Antonio Agrédio Feitoza, 33 anos, que voltava do Maracanã em uma moto Honda Titan. Ele é o dono do Palio verde usado no seqüestro. Os dois veículos foram apreendidos.

- Osmar ficou mais cinco dias em poder dos seqüestradores e correndo risco de vida porque tivemos dificuldade em conseguir as escutas telefônicas. As empresas não cumprem as ordens judiciais - declarou Moraes, que vai se encontrar nos próximos dias com o presidente o Tribunal de Justiça, para pedir providências.

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