Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

Portaria que prevê plástica a doentes de aids é descumprida

Segunda, 04 de Julho de 2005 às 08:55, por: CdB

Passados quatro meses da concessão dada à cirurgia plástica para doentes de aids pelo Ministério da Saúde, apenas um hospital aderiu formalmente à decisão. Em seis meses, o Ministério pretendia cadastrar 60 unidades. A portaria cita que os pacientes poderiam se submeter às cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para corrigir deformações no corpo, decorrentes dos remédios anti-retrovirais.
 
O motivo pelo qual esta portaria foi criada é que os remédios anti-retrovirais podem alterar a distribuição da gordura pelo corpo. A lipodistrofia, como é conhecida, causa um aumento de gordura na barriga, no peito, nas costas e no pescoço e uma diminuição nos braços, nas pernas, nas nádegas e no rosto. O problema, por ser visível, leva muitos doentes a parar o tratamento.
 
Para aderirem à decisão, os hospitais precisariam ter equipes de cirurgia plástica, infectologia, anestesiologia, medicina intensiva em pós-operatório e dermatologia, além de profissionais de psicologia clínica, assistência social, fisioterapia, nutrição, farmácia e hemoterapia.
 
No entanto, integrantes de hospitais e entidades de combate à aids dizem que o pedido pelo Ministério não condiz com as condições estruturais nem financeiras dos hospitais públicos, que recebem verba insuficiente para cobrir os gastos das cirurgias.

As operações que os hospitais conveniados poderiam fazer são a lipoaspiração de giba e de abdômen, a redução de mama, tanto em mulheres quanto em homens, o enxerto e a reconstrução de glúteo e o preenchimento facial, com gordura ou polimetilmetacrilato.

Jorge Beloqui, membro da organização não-governamental Grupo de Incentivo À Vida, diz que os requisitos pedidos para a realização das cirurgias são excessivos. Ele diz que a operação de preenchimento facial, por exemplo, não precisa ter uma equipe médica tão grande quanto a de lipoaspiração, que é bem mais complexo. Tamanha exigência desmotiva hospitais que poderiam fazer só o preenchimento facial.
 
- Não é um procedimento de alta complexidade. Pode ser feito num serviço ambulatorial - afirma Jorge.

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