Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Portadores de HIV protestam contra falta de medicamentos em SP

Quarta, 23 de Fevereiro de 2005 às 13:23, por: CdB

 Portadores de HIV- Aids participantes de organizações não-governamentais (ongs) ligadas à causa fizeram na manhã desta quarta-feira uma manifestação no vão livre do Museu de Artes de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, para pedir a quebra de patentes dos medicamentos anti-retrovirais empregados no tratamento desses pacientes e protestar contra o desabastecimento dos centros de tratamento que distribuem gratuitamente os remédios. Cerca de 100 pessoas, das 170 ongs integrantes do Fórum de Ongs/Aids de São Paulo, caminharam até a Justiça Federal onde entregaram um processo de tutela antecipada que garante a distribuição dos medicamentos.

De acordo com o presidente do Fórum, Rubens Oliveira Duda, as ongs pedem um compromisso maior do governo no cumprimento da Lei 9.313/96, que garante aos portadores do vírus HIV o acesso universal e gratuito aos medicamentos. Também reivindicam a quebra da patente dos demais medicamentos anti-HIV, para que possam ser fabricados no Brasil. Para as entidades, a produção interna dos medicamentos pode resolver o problema da falta desses produtos. Segundo Oliveira Duda, há 15 medicamentos anti-retrovirais, dos quais apenas sete são fabricados no país.

Ele ressaltou que já houve falta de remédios, mas foram casos pontuais e menos graves do que este.

- Nesses momentos sempre havia uma desculpa, mas agora se agravou muito mais, principalmente depois que, na sexta-feira (18), o governo admitiu publicamente que não tinha medicamento e nem perspectivas.

Para Duda, faltou também informar as ongs e comunidades de portadores do vírus.

- Faltou transparência do governo em já ter dito isso ao movimento das ongs em uma nota técnica, em já ter colocado isso de alguma forma para que a comunidade tomasse suas medidas.

Duda afirmou ainda que em todos os momentos o governo usou paliativos e não falou à população sobre o que estava acontecendo de fato.

Em São Paulo há 75 mil portadores da doença que utilizam o coquetel antiaids. Com a importação dos medicamentos da Argentina, o estado recebeu um total de 1 milhão e 299 mil comprimidos de AZT (Zidovudina), 251 mil e 820 cápsulas de Indinavir, 288 mil de Lamivudina (3TC) e 119 mil e 760 cápsulas de Atazanavir. Essa quantia deve ser suficiente para abastecer o estado por um mês. No total foram importadas pelo Ministério da Saúde, três toneladas de medicamentos. Estes foram distribuídos principalmente para São Paulo e Minas Gerais.

Mesmo assim o presidente do Fórum não acredita que seja suficiente e diz que a distribuição ainda não foi normalizada.

- No Centro de Referência no Tratamento da Aids em São Paulo ainda não há o Atazanavir. Nos informaram que o medicamento só chega na próxima sexta-feira (25).

Ele destacou também que os medicamentos são distribuídos de maneira fracionada, como o Biovir, que compreende o 3TC e o AZT em um só comprimido e que há diferenças entre utilizar o Biovir e tomar os dois componentes separadamente.

- O Biovir reduz muito os efeitos colaterais que esses dois medicamentos causam se tomados separados. Isso altera o bem-estar do paciente.

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