Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Porta-voz do governo japonês reuncia por não pagar previdência

Sexta, 07 de Maio de 2004 às 05:56, por: CdB

Um dos membros mais influentes do governo japonês, o porta-voz Yasuo Fukuda, renunciou nesta sexta-feira, após admitir que deixou de pagar a precária previdência pública. Analistas dizem que a surpreendente renúncia pode enfraquecer o primeiro-ministro Junichiro Koizumi, cujo governo enfrenta eleições parlamentares em julho.

Por outro lado, o fato pode melhorar a imagem de seu partido diante do escândalo, que se aprofunda conforme surgem relatos de que políticos não pagaram suas contribuições ao fundo.

Fukuda, que era chefe de gabinete do governo, é um dos vários ministros que admitiram não ter pago, em uma época em que o governo tenta convencer cidadãos relutantes a contribuírem. Os ministros das Finanças, Sadakazu Tanigaki, e da Economia, Heizo Takenaka, também admitiram a irregularidade.

O porta-voz pediu desculpas ao povo japonês "por aumentar o descrédito na política". Na semana passada, ele reconheceu que deixou de contribuir com a previdência em vários períodos, inclusive durante dois anos na década passada.

Nenhum dos outros ministros envolvidos no escândalo ameaçou renunciar, e Koizumi disse ao Parlamento que quer a permanência de todos. Ele nomeou o subchefe de gabinete Hiroyuki Hosoda para o lugar de Fukuda, que tinha uma voz influente em questões de política externa.

O cargo é tão importante que há quem se refira a ele como "a mulher" do primeiro-ministro.
Analistas dizem que Hosoda só deve ficar interinamente, até a reforma ministerial a ser feita depois das eleições de julho.

No mês passado, Fukuda, de 67 anos, se tornara o porta-voz governamental com mais tempo no cargo - estava desde dezembro de 2000, com o antecessor de Koizumi, Yoshiro Mori.

A reforma da previdência é um dos maiores problemas no Japão atual, cuja população envelhece rapidamente. É cada vez maior o número de pessoas que não contribuem, por achar que o sistema não vai pagar benefícios no futuro.

O projeto do governo de elevar as contribuições e reduzir as pensões deve ser um dos grandes temas nas eleições de julho.

Os políticos são considerados trabalhadores autônomos no Japão, razão pela qual as contribuições devem ser feitas por eles mesmos, em vez de serem deduzidas em folha. 

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