Pouco se fala de André Singer fora de seu ambiente de trabalho. Mas é difícil imaginar que, com uma rotina tão intensa no Palácio do Planalto, o porta-voz consegue reservar tempo para fazer exercício físicos, almoçar em companhia da família e ouvir música - que vai do clássico a Roberto Carlos, passando pelos Beatles. Acostumado a ser um estudioso da política, como cientista político, ou espectador, como jornalista, Singer ainda está se ambientando com o outro lado, o de fazer parte da equipe de governo.
Foi a sua ligação com a política que o aproximou do hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seu pai, o economista Paul Singer, foi um dos fundadores do PT. Com a ditadura militar, André se envolveu no movimento estudantil e passou a conviver mais de perto com o então líder sindical Lula. Em meados dos anos 80, estreitou laços com o presidente quando atuou como repórter da Folha de São Paulo, cobrindo, entre outros grandes momentos da vida política do País, as Diretas Já. Acabou deixando temporariamente o jornalismo para participar da campanha de Lula em 1989 e, daí por diante, apesar de manter seu trabalho jornalístico no comando de redações como a da revista Superinteressante, não parou mais de colaborar com o Partido dos Trabalhadores.
Leia a seguir a entrevista concedida em sua sala, no terceiro andar do Palácio do Planalto, a poucos metros do gabinete daquele por quem ele fala, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Como aconteceu sua aproximação com Lula?
- Eu participava de movimentos estudantis na década de 60 e nós organizamos atividades de apoio às greves dos metalúrgicos do ABC. Desde a década de 80 sou filiado ao PT. Quando trabalhava como repórter, na Folha de São Paulo, afastei-me das atividades do partido e o contato com Lula passou a ser entre repórter e fonte. Nas eleições de 89, estava saindo da Folha e me engajei na campanha no segundo turno. Ao final, fui convidado a organizar um livro sobre a campanha, que se chamou "Sem Medo de Ser Feliz". Era um livro jornalístico, com fotos e textos, e uma entrevista com o atual presidente, publicado em 1990. Dez anos depois, publiquei um outro livro, que é um livro acadêmico, de ciência política, sobre as campanhas de 89 e 94. No final de 2001, fui convidado para ser o porta-voz da campanha e aceitei. Comecei a trabalhar na campanha em abril de 2002.
- Como é o trabalho do porta-voz da Presidência?
- Eu acho que a definição do que faz o porta-voz é a de que ele expressa o ponto de vista da Presidência e, mais especificamente, do presidente, quando ele julgar que o assunto merece ser abordado por ele. O trabalho do porta-voz é um tanto quanto diversificado, porque pode incidir sobre qualquer assunto que esteja na órbita do presidente e da Presidência. O julgamento sobre o que dizer e quando dizer cabe ao presidente. Normalmente, o meu contato com ele é diário e, muitas vezes, ocorre em torno das perguntas enviadas pelo comitê de imprensa do Planalto. Esse envio diário das perguntas já estava estabelecido quando iniciamos o governo e é um hábito que eu considero saudável, porque permite respostas refletidas, o que interessa tanto à imprensa como à Presidência.
- Como são elaboradas as respostas às perguntas enviadas pelos jornalistas?
- Quando recebo as perguntas, eu procuro primeiro fazer uma coleta de informações em torno do tema para que possa estar o mais informado possível sobre o assunto. Quando eu for conversar com o presidente, devo ter condição, se for o caso, de apresentar a ele uma visão minha que possa eventualmente ser útil. Nós conversamos - às vezes essa conversa é mais longa, às vezes mais curta, depende da agenda do presidente. Geralmente transformo as anotações em uma espécie de roteiro para mim mesmo. Às vezes, eu volto ao presidente com esse roteiro para ele dar uma olhada e, se quiser, alterar alguma coisa. É raro que