Por BR247 / JD / JN 07/06/2011 às 07:48
Apresidente não o quer mais na Casa Civil; o PT idem; e a sociedade brasileira, muito menos; apesar disso, ele demonstra muito apego ao cargo e demonstra que só sai demitido; que cartas o ministro tem na manga? Será chantagem?
Este texto é um exercício de lógica.
Premissa número 1:
Dilma Rousseff não quer mais Antonio Palocci como ministro da Casa Civil. Se quisesse, não teria se reunido com todos os líderes do PMDB sem a presença do seu articulador político nem o teria obrigado a prestar esclarecimentos públicos nas entrevistas à Folha de S. Paulo e ao Jornal Nacional.
Premissa número 2:
o PT também o não o quer. Se quisesse, teria divulgado uma nota de apoio na reunião da Executiva Nacional desta semana e não incentivaria o fogo amigo. Há parlamentares petistas espalhando aos quatro cantos ? em off ? que o partido está indignado com a apropriação de recursos de campanha pelo ministro milionário.
Premissa número 3:
a sociedade brasileira, que lhe deu uma segunda chance após o escândalo Francenildo, também o rejeita. E para isso não há necessidade de Ibope, Datafolha ou Vox Populi. Basta pegar um táxi e ouvir a chamada ?voz rouca das ruas?.
Diante disso, qualquer pessoa equilibrada (o que Palocci parece ser) faria o que se espera de um homem de bem: pediria para sair, evitando maiores danos a um governo que começou navegando de vento em popa, com 70% de aprovação popular, mas que vê seu capital político se esvair rapidamente. Mas, não. Palocci age de outra maneira. No Jornal Nacional, ele deixou claro que só sai demitido. Ou seja: ele insiste em constranger a presidente Dilma Rousseff.
Na entrevista ao Jornal Nacional Palocci tentou jogar a culpa dos escândalos na oposição como se fosse uma conspiração para desestabilizar o governo da presidente Dilma.Na entrevista à Globo, o ministro disse que não há uma crise de governo, mas apenas um problema que envolve a sua pessoa. NÃÃÃÃO, Palocci. Você está redondamente enganado e sabe muito bem disso. Se a crise não fosse de governo, um parlamentar como o carioca Anthony Garotinho não diria que Palocci é hoje um ?diamante de R$ 20 milhões?, aludindo ao seu patrimônio (talvez subestimado por Garotinho).
Político esperto que é, o ex-governador do Rio quer se valer da chantagem em torno do caso Palocci para aprovar a PEC 300, uma proposta de emenda constitucional, que equipara os salários dos policiais de todo o Brasil aos de Brasília, que são os mais altos do País. O tamanho da conta: R$ 40 bilhões.
E se a crise não fosse de governo, os líderes do PMDB não estariam esfregando as mãos e ?lambendo os beiços? dizendo que ela só acaba quando o governo entregar todos os cargos nos ministérios e no segundo escalão. O fato é que Palocci hoje custa muito caro a Dilma, ao PT, ao governo e à sociedade brasileira. Preservá-lo significa rasgar ?o meu, o seu, o nosso dinheiro?, como diria Armínio Fraga ? um dos ídolos de Palocci.
Sendo assim, é lícito imaginar que pode haver algo maior por trás disso. Que carta o ministro da Casa Civil tem na manga para causar tanto constrangimento a uma presidente que inspirava bons augúrios? Num texto anterior, este Brasil 247 argumentou que se Palocci não saísse rápido da Casa Civil, tornaria ré uma mulher inocente, parodiando o que Roberto Jefferson havia dito de José Dirceu na crise do Mensalão.
Palocci foi o coordenador de campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010. Sabe quanto e como cada um dos doadores pagou durante o processo eleitoral. Será isso? Não parece haver outra explicação.
Mas Dilma não deveria se intimidar. Se, depois da entrevista desta sexta-feira, ela não tomar a decisão de demitir Palocci, seu governo terá jogado no lixo um capital político extraordinário, raras vezes visto na história brasileira. Seria uma pena.
As informações são dos sites: BR247 e João Domingos e Leonencio Nossa