Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Por um Banco do Sul a serviço dos povos

Sexta, 09 de Setembro de 2011 às 09:17, por: CdB

Tradução:ADITAL

PorATTAC - Diálogo 2000 - Programa Luterano sobre Dívida Ilegítima.

Comquatro anos de atraso, a Câmara de Deputados aprovou a sanção definitiva à leique ratifica o convênio constitutivo do Banco do Sul.

Hápoucas semanas o discurso predominante era que a crise mundial do capitalismo,com epicentro na Europa e nos Estados unidos, não nos atingiria. Porém, com seurecrudescimento, que, recentemente, se manifestou na ameaça de não pagamentopor parte dos Estados Unidos, acabou por convencer aos países que integram aUnasul, inclusive aos governos de direita, da necessidade de adotar medidas comvistas a proteger-se dos efeitos da crise.

Nãoé para menos. Muitos países da região são credores dos Estados Unidos, já queutilizaram uma parte significativa de suas reservas internacionais paraadquirir bônus de escasso ou nulo interesse, os mesmos eram facilmenteconvertíveis em efetivo, sendo impensável que os Estados Unidos não efetuasseos pagamentos. O inimaginável para alguns esteve e está a ponto de tornar-serealidade.

Aessa altura resulta evidente que a crise capitalista global não somente cessoumas continuará aprofundando-se.O que se manifesta é a urgência de avançar emtransformações de fundo. Por isso, a criação do Banco do Sul, no controlecambiário comum e na criação de uma moeda de intercâmbio comum, que substitua adependência que atualmente temos do dólar no comércio exterior. Da mesma forma,é necessário avançar na realização de auditorias integrais e participativas dasdívidas públicas, para evitar que continuem pagando reclamos indevidos.

Porém,faz-se necessário ressaltar que a participação dos povos na elaboração e tomadade decisões que protegem de seus interesses fundamentais continua sendoescassa. O Banco do Sul ainda não contempla a participação da sociedade civilnas decisões relativas à utilização dos fundos.

Otema não é de menor importância. Somente a participação popular evitará que oBanco do Sul acabe sendo um instrumento a serviço das classes dominanteslocais, que sirva para financiar projetos que reforcem o modelo produtivoatual, favorecendo, assim, a concentração da riqueza, o crescimento da pobrezae a degradação do meio ambiente.

Nãose trata de "blindar” o atual modelo produtivo. A gravidade da crise na qual ocapitalismo está afundando a humanidade, ameaçando sua própria existência,exige ir além e avançar na criação de um novo modelo produtivo e dedesenvolvimento, que tenha como finalidade a satisfação das necessidadesessenciais da população, de forma justa e equitativa e em harmonia com anatureza. Por isso, somente será possível se por trás de dito projeto seenfileiram os povos da região como verdadeiros artífices de seus destinos.

BuenosAires, 7 de setembro de 2011.

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