Rio de Janeiro, 26 de Outubro de 2026

Por onde andará a mão pesada do Estado

Por Gilberto de Souza - O drama que três famílias de moradores do Morro da Providência tem vivido nos últimos dias se tornou um cabo de guerra entre a intolerância, o orgulho e a ineficiência. Ora aparece um engraçadinho para dizer que o Exército Brasileiro não pode prestar serviços sociais. (Leia Mais)

Terça, 24 de Junho de 2008 às 17:56, por: CdB

O drama que três famílias de moradores do Morro da Providência tem vivido nos últimos dias se tornou um cabo de guerra entre a intolerância, o orgulho e a ineficiência. Ora aparece um engraçadinho para dizer que o Exército Brasileiro não pode prestar serviços sociais. Em seguida o tribunal que rege as eleições descobre serem as obras eleitoreiras. Outros iniciam uma série de palpites. E o time do quanto pior, melhor - a exemplo do prefeito do Rio, o sr. César Maia - sai distribuindo factóides via e-mail, sobre um aludido acordo entre setores do tráfico e bandidos fardados, como se esses, de alguma forma, representassem uma das instituições mais respeitadas deste país.

Aqueles que andam dizendo que as Forças Armadas deveriam ser proibidas de prestar serviços em comunidades carentes deveriam rever seus conceitos. Uma vez revendo-os, chamar de volta os homens que sustentamos no Haiti, pois nada além de um grande apoio àquela população tem sido o trabalho dos nossos soldados e oficiais estacionados na fronteira mais miserável das três Américas. Depois, precisam também dizer claramente que Exército, Marinha e Aeronáutica deveriam ser inteiramente desmobilizados, pois a segurança do país estaria garantida apenas com uma elite profissionalizada e pronta a entrar em ação somente em tempos de guerra. Ora, quem defende tal hipótese está, no mínimo, equivocado.

O serviço militar, no Brasil, é um dever, ou seja: Exerça-o todo brasileiro apto a lutar. Leia-se: Se for saudável, com a maioria dos dentes na boca, um mínimo de instrução, capacidade cognitiva e coragem para doar a vida por seu país terá a obrigação de empunhar armas e ajudar na defesa de nossas fronteiras, em tempos de guerra. Na paz, é tarefa dos militares aqui, na Europa, no Oriente Médio, na China ou em qualquer outro país do mundo, ajudar sim no desenvolvimento social e comunitário. As Forças Armadas não são um ser extraterrestre. Muito menos uma força hostil ou um corpo estranho à sociedade. Ao contrário: Somos todos nós que, um dia, juramos à Bandeira Nacional o nosso compromisso de ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil.

Trata-se de um outro erro crasso a interrupção das obras na Providência, após mais de seis meses de andamento, como o fez nesta terça-feira o Tribunal Regional Eleitoral. Somente agora os desembargadores descobriram a extemporaneidade do projeto Cimento Social? Não tiveram tempo para perceber que se trata de algum artifício eleitoreiro, se realmente o é? Apenas depois de matarem os três garotos acendeu uma luz na sede do TRE? Creio que a Justiça comum irá responder a estas perguntas. Enquanto isso, alguém haverá de restabelecer, o quanto antes, o trabalho de reconstrução das casas e da cidadania daquela comunidade.

Mas o pior não é isso. O equívoco é maior ainda. Seja o prefeito insinuar - sem provar coisa alguma - que o Exército teria feito algum tipo de acordo com os traficantes; seja o TRE paralisar obras necessárias e urgentes para quem vive abaixo da linha da pobreza; seja essa bárbara confusão que andam fazendo sobre o papel social das Forças Armadas, nada disso arranha a face estúpida que a realidade tem mostrado aos brasileiros. O único fato incontestável, até agora, é que os outros assassinos dos três rapazes, além dos militares que os capturaram, continuam soltos. Todos sabem onde eles estão. As emissoras de TV mostram as imagens deles, armados, livres, zanzando pelas ruelas do Morro da Mineira e ninguém, até agora, fez coisa alguma para capturá-los. O governador Sérgio Cabral lamenta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se emociona e, além disso, na

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