Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Por dinheiro e prazer, casal aposta em ações há décadas

Terça, 08 de Março de 2005 às 12:28, por: CdB

Para analistas financeiros, acompanhar as reuniões corporativas dirigidas ao mercado de capitais é obrigação profissional. Para um casal da terceira idade, a atividade é um compromisso pessoal dos mais importantes e que exige dedicação diária.

O economista aposentado Rubens Ferreira da Silva e sua esposa, Ima, colocam seu dinheiro em ações há décadas e são exceção em um país de pouca tradição de investimento em renda variável - apenas cerca de um quarto do movimento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) envolve pessoas físicas.

Os dois não revelam a idade, mas os cabelos brancos e o caminhar vagaroso indicam a passagem dos anos. Sempre sóbrios e elegantes - ele de terno e ela de vestido-- os dois comparecem aos encontros promovidos pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), em São Paulo.

- Estamos atrás de informações - contou Rubens à Reuters, após apresentação recente da petroquímica Braskem .

Ainda que não saiba precisar há quantos anos estão casados, "cerca de 40", ele é ligeiro para falar da performance de sua carteira de ações.

- Em janeiro perdi 3,24 por cento, contra queda de mais de 7 por cento do índice Bovespa.

Rubens, que trabalhou no Grupo Billiton e na Alcoa, também administra a carteira de ações da mulher, iniciada quando os títulos mobiliários eram ao portador. O portfólio de Ima no primeiro mês do ano perdeu 2,68 por cento.

- Ele me dá as ações que não prestam - brincou ela.

O assessor da Santista Têxtil Paulo Damião é testemunha da disposição da dupla em conhecer a fundo as empresas nas quais investem. Ele acompanhou o casal e analistas em visita a uma fábrica de tecidos.

- Apesar do ambiente, não muito convidativo devido ao calor e ao percurso de cerca de 2 quilômetros, o casal topou o desafio e fez o percurso completo.

Gerdau é preferida

O papel preferido de Rubens é Metalúrgica Gerdau . Ele citou também o gosto pela petroquímica Unipar e pela mineradora Companhia Vale do Rio Doce, além de mostrar apetite por ações de novatas na bolsa, caso da seguradora Porto Seguro e dos laboratórios Dasa .
A descoberta do mercado acionário ocorreu nos anos 60, em conversas no trabalho que o motivaram a procurar livros sobre o assunto. Rubens não revela quanto tem na bolsa, mas garante que:

- O patrimônio cresceu substancialmente.

Ele afirma não ter imóveis e que uma pequena parte dos recursos está em fundos de renda fixa.

A principal fonte de informações do investidor está nos jornais.

- Ele lê diariamente a Gazeta Mercantil e o Valor Econômico - diz uma pessoa ligada à Apimec.

Rubens não usa dados em tempo real, ferramenta de trabalho de analistas, mas reconhece que a Internet faz falta.

- Às vezes há informações adicionais disponíveis apenas no site.

Ele é do tempo em que boletins da bolsa eram distribuídos todo final de tarde no Pátio do Colégio, no centro de São Paulo. Em um deles, ficou sabendo da reunião de uma empresa com analistas e começou a frequentar a associação, antes Abamec, no início dos anos 1980. Mais tarde, um diretor da entidade limitou os encontros a analistas, mas Rubens, com sua dedicação, acabou ganhando o status de sócio.

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