Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

Por dia, 523 carros são roubados em São Paulo

Segunda, 03 de Outubro de 2005 às 07:13, por: CdB

Criminosos roubam ou furtam 523 carros por dia no estado de São Paulo. De janeiro a junho deste ano foram registrados 94.679 furtos e roubos de veículos, o equivalente a 35,6% de todos os automóveis vendidos no estado no mesmo período, cerca de 64.042 carros, ou seja, a cada dez vendas acontecem três roubos ou furtos.

De acordo com estatística do Cadastro Nacional de Veículos Roubados (CNVR), cerca de 30% desses carros voltam a rodar no mercado interno, adulterados.

Isso quer dizer que em São Paulo rodam aproximadamente 30 mil automóveis ilegais. A frota estadual é estimada em 8 milhões de veículos, o que corresponde a 36,4% do total do país (21,3 milhões).

Para a polícia, os grandes responsáveis pela situação são os desmanches clandestinos, que recebem e revendem peças de veículos roubados. Segundo dados do CNVR, cerca de 9.200 carros são adulterados por mês nesses estabelecimentos.

A Assembléia Legislativa aprovou recentemente projeto de lei que pretende dificultar a abertura de outros desmanches e que passa a fiscalização das irregularidades ao próprio Detran - o que até hoje é feito pelo Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic). Falta apenas a sanção do governador Geraldo Alckmin para entrar em vigor.

Em média, 48% dos carros roubados no país são recuperados, segundo dados do cadastro. O CNVR mostra que 15% desses veículos têm como destino os desmanches clandestinos e outros 7% seguem para o mercado externo, em países como Bolívia e Paraguai.

O delegado Itagiba Franco, chefe da Divisão de Investigações Sobre Roubos de Veículos e Cargas (Divecar), é favorável à eliminação dos desmanches.

- Por mim, todos os desmanches devem ser fechados. Os ilegais e os legais também, pois muitos destes acabam adquirindo peças de automóveis furtados e roubados - explicou.

Franco diz que uma parcela da população também tem é responsável pela situação.

 - Tem pessoas que, para gastar menos dinheiro, recorrem aos desmanches, compram peças sem nota fiscal. Muitas delas são de carros roubados. Outras são muito velhas e podem colocar a vida do motorista em risco - alertou o delegado.

Franco ainda acrescenta que o funcionamento desses desmanches é o que alimenta os roubos e furtos de veículos no estado.

- O cidadão que compra peças roubadas no desmanche está querendo resolver um problema rapidamente, com baixo custo. Ele não está pensando que aquela peça está ali porque um criminoso agiu na rua, podendo até ter tirado a vida de uma pessoa e ter destruído uma família - concluiu.

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