A popularidade recorde do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o coloca na condição de maior puxador de votos do país, apontou pesquisa do Instituto Sensus nesta segunda-feira. A sondagem, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), não só mostra que o eleitor leva a opinião do presidente em consideração como também aponta os programas sociais como principal elemento para essa transferência.
– Ele é o maior cabo eleitoral (do Brasil). Tem força enorme de transferência, mas o candidato tem de ser palatável – avaliou Ricardo Guedes, responsável pela pesquisa.
Sem precisar qual eleição, 75,3% dos entrevistados votariam nos candidatos do governo para manter programas como o Bolsa Família. Apesar disso, em simulações eleitorais para 2010 feitas pela pesquisa, eventuais candidatos petistas apresentaram baixo desempenho, caso da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
– A transferência não é um ato político tão simples – ponderou Guedes.
Lula é dono de um importante patrimônio eleitoral, exibindo aprovações recordes a cada levantamento estatístico. De acordo com o Sensus, ele obteve avaliação positiva de 68,8%, ante 57,5% em abril. Esse é o melhor nível desde 1998, quando o instituto passou a fazer a pesquisa para a CNT, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo Ricardo Guedes, o exemplo dos Estados Unidos é uma boa premissa para analisar o quadro eleitoral brasileiro. Para ele, as eleições nacionais tendem para o bipartidarismo, com PT e PSDB protagonistas dessas disputas.
– Nas eleições norte-americanas (polarizadas entre republicanos e democratas), quando a aprovação (do presidente) fica acima de 50%, ele tende a fazer seu sucessor – afirmou.
No pleito municipal, por exemplo, Lula tem um potencial de transferência direta de voto da ordem de 44,1%. Entre os entrevistados, 15,5% disseram que votariam somente no candidato apoiado por Lula, e 28,6% afirmaram que poderiam votar no nome escolhido pelo presidente. Essa marca, no entanto, pode crescer ainda mais, já que outros 30,9% disseram que só decidiriam pela influência de Lula quando o candidato fosse definido.
– Essa é uma taxa historicamente alta. Em geral, os presidentes transferem uma média de 10% – disse Guedes.
Sucessão de Lula
Apesar de Lula exibir o status de maior cabo eleitoral, a pesquisa mostrou um cenário muito mais favorável ao PSDB em 2010. Sem Lula no páreo, o governador de São Paulo, José Serra, se mantém à frente de adversários na pesquisa estimulada. Lula, no entanto, lidera o quadro na sondagem espontânea. O tucano está à frente em todas as simulações em que participa. Já Dilma Rousseff (PT), ocupa o terceiro ou quarto lugares no primeiro turno e é derrotada por qualquer candidato do PSDB no segundo.
– A gente vê o Serra em alta ou estável, a Heloísa Helena (PSOL) decrescendo e a Dilma aumentando paulatinamente – disse Guedes, explicando que, apesar de os candidatos do PT terem baixo desempenho, "ainda é muito cedo" para uma eventual transferência de popularidade do presidente a um candidato seu em 2010.
O deputado Ciro Gomes (PSB-CE), da base de sustentação de Lula, aparece sempre na frente de Dilma. Ele também derrotaria o tucano Aécio Neves, governador de Minas, em cenário de 1o turno, mas perderia para Serra. Petistas como Marta Suplicy e o ministro Patrus Ananias não rompem a marca do último lugar nas simulações.
A percepção do brasileiro, que colabora para a popularidade recorde de Lula, vem de fatores como moeda relativamente estável, poder aquisitivo maior, reservas cambiais em alta e opinião de que a crise internacional não deve atingir o Brasil. O desempenho pessoal de Lula ficou em 77,7%, frente aos 69,3% em abril, retomando o grau atingido no primeiro ano de seu governo. A avaliação negativa do governo caiu de 11,3% em abril para 6,8% neste mês. A regular percorreu a mesma trajetória, passando de 29,6% para 23,2%.
A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 15 e 19 deste mês com 2.000 entrevistados em 136 municípios do país. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais para cima ou para baixo.