Rio de Janeiro, 31 de Março de 2026

População fecha gasoduto na fronteira da Bolívia com Argentina

Terça, 29 de Agosto de 2006 às 10:29, por: CdB

Formado por cerca de 2 mil moradores da localidade de San José de Pocitos, na cidade de Yacuiba (sul da Bolívia), perto da fronteira com a Argentina, um grupo de militantes ocupou uma estação de bombeamento da empresa Transredes e fecharam as válvula do gasoduto pelo qual são transportados cerca de 4,5 milhões de metros cúbicos de gás diariamente ao país vizinho. A decisão foi tomada após um encontro ocorrido na administração de San José de Pocitos. O presidente do Comitê de Pocitos, Gabriel Escalante, disse que a reunião teve participação de representantes de grupos de comerciantes locais e de parte das populações tanto da localidade boliviana como da região vizinha de Salvador Mazza, já no lado argentino da fronteira.

Manifestantes do lado boliviano exigiram que o governo do país intervenha no projeto de construção de uma ponte internacional (financiado pela Argentina): a ponte seria construída a nove quilômetros da localidade, e a exigência é de que fique a apenas um quilômetro de distância. Outra exigência, desta vez dos argentinos, é de que o governo argentino revogue a decisão da aduana argentina que eleva para 10 pesos o pedágio para entrada de argentinos na Bolívia, limita a entrada no território boliviano a uma vez por mês e permite gastos de até US$ 50 por pessoa.

- De forma unânime, decidiu-se por assumir uma medida mais drástica como a do bloqueio dos gasodutos - disse Escalante ao diário boliviano El Nuevo Día.

Por volta das 17h (em Brasília), Escalante e outros representantes dos moradores das duas localidades comunicaram ao diretor da estação da Transredes, Carlos Salazar, a decisão de cortar o fornecimento de gás à Argentina. Salazar pediu uma carta com a decisão por escrito (que foi entregue pouco depois) e, por volta das 19h (em Brasília), as válvulas começaram a ser fechadas. Um grupo de manifestantes permaneceu às portas da estação à noite para evitar que as válvulas fossem reabertas. Um grupo de dirigentes da Transredes permaneceu no prédio da empresa.

A Transredes manifestou preocupação com os ocupantes da estação devido aos riscos de segurança, e pediu que o Ministério dos Hidrocarbonetos intervenha na situação. Pela fronteira em Yacuiba circulam cerca de 500 caminhões por dia e são transportadas cerca de 200 toneladas de produtos, segundo o governo boliviano.

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