Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

População faz novos protestos contra a falta de água em São Paulo

Moradoresde Itu, município a 100 quilômetros da capital paulista, continuaram protestando contra a crítica situação de falta de água. Moradores colocaram fogo em pneus e reivindicaram uma solução para o problema. De acordo com a advogada Soraia Escoura, que participa do movimento Itu Vai Parar, as manifestações têm surgido espontaneamente conforme a revolta da população aumenta.

Quarta, 22 de Outubro de 2014 às 09:34, por: CdB
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Bairros como o Jardim Pantanal localizado na periferia da zona sul de São Paulo, são os que mais sofrem com os seguidos dias sem água
Moradores de Itu, município a 100 quilômetros da capital paulista, continuaram protestando contra a crítica situação de falta de água. Moradores colocaram fogo em pneus e reivindicaram uma solução para o problema. De acordo com a advogada Soraia Escoura, que participa do movimento Itu Vai Parar, as manifestações têm surgido espontaneamente conforme a revolta da população aumenta. - Todos os dias têm acontecido manifestações. E não (há) uma coisa única, cada bairro faz a sua manifestação. Na segunda-feira foi maior do que domingo, as pessoas colocaram pneus nas ruas e colocando fogo para chamar, realmente, a atenção - disse ela. Soraia conta que está há 11 dias sem água em sua casa. A advogada entregou um abaixo-assinado com mais de 3 mil assinaturas no dia 14 deste mês ao Ministério Público pedindo intervenção do estado em Itu. “Foi oficiado na Procuradoria Geral um requerimento de intervenção. A promotoria também fez um requerimento de instauração de inquérito policial contra o prefeito (de Itu)”, declarou. Segundo liminar da Justiça, as residências e comércios de Itu não poderiam ficar mais de 48 horas sem água, o que não vem sendo cumprido pela concessionária Águas de Itu. Soraia defende, além disso, que seja decretado o estado calamidade pública no município. A prefeitura, por sua vez, informa que Itu ainda não se enquadra nas normas de calamidade pública, que implicaria caos total, com escolas e hospitais sem funcionar e epidemias ou surtos de doenças. Falta de água se espalha por todas as regiões da capital paulista Antes restritos a determinadas áreas, em períodos específicos, os casos de falta de água se espalharam por São Paulo nos últimos dias, atingindo 23 bairros de todas as regiões da capital por intervalos que variam entre algumas horas a vários dias. Bairros como o Jardim Pantanal localizado na periferia da zona sul de São Paulo, são os que mais sofrem com os seguidos dias sem água. Crise da água A grave crise hídrica que atinge o estado de São Paulo pode diminuir as intenções de voto para o tucano Aécio Neves. Em meio à disputa acirrada na reta final das eleições presidenciais, a falta de água deve abrir uma diferença favorável a Dilma Rousseff (PT) no maior colégio eleitoral do país, preveem especialistas. - As torneiras estão secando, e isso tem se transformado em um grande constrangimento para o governador Geraldo Alckmin e para o PSDB - avalia o cientista político Carlos Melo, do Insper. Com a intenção de desgastar a imagem de Aécio e o favoritismo do PSDB em São Paulo, o PT tem usado a crise para criticar a forma de gestão tucana. Em propaganda eleitoral veiculada nesta segunda-feira, Dilma diz que o governo paulista foi alertado em 2004 sobre a necessidade de a Sabesp (estatal responsável pela distribuição de água no Estado) reduzir a dependência do Sistema Cantareira, mas “não fez nada”. O sistema de captação de água é responsável pelo abastecimento da região metropolitana de São Paulo. - Esse é mais um exemplo do modelo de gestão tucana - declarou a presidente. “Há meses que venho tentando ajudar, mas eles não demonstraram interesse em fazer obras com o nosso apoio”, completou, anunciando a liberação de R$ 1,8 bilhões para a construção do Sistema São Lourenço, que, segundo ela, resolveria o problema da falta de água no “médio prazo”. Já Aécio joga a responsabilidade para o governo federal. O candidato pelo PSDB afirmou nesta segunda que “talvez tenha faltado uma parceria maior” do Planalto, e criticou a atuação da Agência Nacional das Águas, órgão federal que regula o gerenciamento dos recursos hídricos no país. - Vi essa questão da água ser muito discutida na campanha de São Paulo e nós vimos o resultado - afirmou, em referência à reeleição de Alckmin para o governo do Estado. Para o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, da FGV-SP, a crise hídrica pode ser um fator de decisão do voto em um estado em que o PT “vai muito mal”. - O governador vem adiando o enfrentamento do problema. Esse fato não tinha provocado muitas consequências entre os eleitores, porque, até então, não estava faltando água nas torneiras - analisa. “A impressão que eu tenho é que Alckmin está esperando chegar o dia 26 [segundo turno] para tomar um posicionamento.”
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