Secretário-geral do Partido dos Trabalhadores (PT), Raul Pont contrariou as declarações de seu companheiro de partido José Dirceu e disse que a compra da sede do partido no Rio Grande do Sul foi feita em 2001 com as contribuições dos filiados do partido. Dirceu declarou à revista Piauí que o dinheiro para a compra da sede teria sido obtido por meios ilícitos.
- Isso pode ser investigado a qualquer momento. Pagamos uma entrada, fruto de um recolhimento de uma grande campanha que fizemos. Naquele momento, as pessoas que estavam filiadas ao partido e que tinham cargos de comissão do governo ajudaram, fizeram contribuições. As prestações que sobraram, pagamos ao longo dos anos seguintes. É uma acusação completamente descabida, disse Pont, acrescentando que a polêmica está encerrada. "Depois que o próprio Dirceu pediu desculpas e disse que foi um engano, um equívoco, acho que esse tema está encerrado - afirmou.
Na avaliação do secretário, pode ter havido uma “confusão” por parte da jornalista ou do próprio José Dirceu sobre a situação em que o prédio foi comprado. Ele esclareceu que, em 1998, havia um acordo entre o partido e o Clube de Cidadania.
- O clube fez um programa de venda de corretagem de seguros com percentual da corretagem dedicado à construção de uma casa da cidadania. Esse local foi cedido à campanha do Olívio Dutra [ex-governador do estado e atual presidente estadual do partido] e depois à sede do PT. Depois, fizemos a campanha para a compra do prédio - afirmou.
Pont disse não se lembrar do valor pago à época, mas afirmou que atualmente o imóvel está avaliado em cerca de R$ 500 mil.
- Temos mais de 100 mil filiados. Na época, a direção estadual tinha uma arrecadação muito grande em função do número de secretários com cargos comissionados dentro do governo. Podia ter uma arrecadação grande de contribuições. Naquela época, já éramos a maior bancada na Assembléia Legislativa - garantiu.
Por fim, ele classificou a entrevista de “lamentável” e disse que não tem mais contato com José Dirceu.