O primeiro-ministro da Polônia, Leszek Miller, declarou nesta quarta-feira, que seu país deve decidir sobre a permanência de suas tropas no Iraque em função do "desenvolvimento dos eventos".
- A decisão sobre a retirada das tropas polonesas no Iraque deverá ser muito meditada e, sobretudo, condicionada ao desenvolvimento dos eventos - disse Miller ao comentar a nova situação criada depois do anúncio da retirada das tropas espanholas e de outros países.
"Não podemos fechar os olhos à decisão da Espanha de retirar suas tropas, mas não podemos agir de maneira aventureira, porque estamos no Iraque para estabilizar a situação e não para torná-la mais instável", disse.
É a primeira vez que a Polônia expressa dúvidas a respeito do futuro de sua missão no Iraque e há apenas dois dias o presidente polonês, Alexander Kwasniewski, prometeu ao dos EUA, George Bush, que a Polônia não abandonaria a coalizão e continuaria até o fim da missão.
O primeiro-ministro disse hoje que "o problema do Iraque necessita de uma solução política e não militar".
Miller, que apresentará sua demissão e a de seu governo no próximo dia 2 de maio, um dia depois da entrada oficial de Polônia na União Européia, manifestou a opinião de que "as concepções relativas à permanência ou saída das tropas polonesas do Iraque" serão apresentadas por seu sucessor na chefia do Executivo.
- O que posso assegurar é que a decisão definitiva sobre a retirada das tropas polonesas e sobre a data concreta será uma decisão muito pensada, uma decisão elaborada de comum acordo e uma decisão que leve em conta o desenvolvimento dos eventos, da situação existente - acrescentou.
O chefe do governo polonês reconheceu que a Polônia envia com isto um sinal aos EUA de que é necessário conceder mais importância às iniciativas políticas que às operações militares.
- O melhor seria que o conflito do Iraque fosse solucionado com métodos políticos sob a organização das Nações Unidas - disse.
Agora que Espanha se retira, "ao Iraque podem ser enviados muito mais soldados, mas não soldados poloneses, porque o contingente que temos nesse país é o máximo de nossas possibilidades e é mais provável reduzir que aumentá-lo".
Por sua vez, o ministro da Defesa, Jerzy Szmajdzinski, informou que está sendo elaborado um plano de reorganização da Divisão Internacional, mas sua aplicação requerer certo tempo.
O ministro disse que a reorganização da Divisão Internacional foi forçada pela decisão da Espanha, Honduras e a República Dominicana de retirar suas unidades.
- Aceitamos as decisões de Honduras e República Dominicana de sair do Iraque, porque sabemos que suas unidades, do ponto de vista logístico, dependiam do contingente espanhol - disse.
Ele acrescentou que entende que as decisões desses dois países são ditadas, exclusivamente, por razões de ordem técnica e militar.
Quanto "ao debate que na Ucrânia sobre a permanência ou não das tropas desse país no Iraque não é uma surpresa, porque sabemos que em todos os países que têm soldados nessa região ocorrem debates similares, nós mesmos tivemos faz há algumas semanas o nosso, que durou cinco horas".
O ministro ressaltou que os países que não anunciaram sua intenção de abandonar o Iraque na conferência realizada para coordenar a substituição das tropas em serviço pelo terceiro turno de unidades confirmaram que não abandonarão a missão.