O investimento no Pólo Gás-Químico, que será inaugurado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, na quinta-feira, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foi pioneiro no país por ser realizado via project finance, serviço oferecido por instituições financeiras, que planejam desde a captação de recursos até a entrada em operação do empreendimento.
O empreendimento terá produção de 540 mil toneladas anuais de polietilenos, matéria-prima fundamental para a produção de produtos plásticos, como sacolas de supermercados, adesivos, embalagens e filmes, entre outros. Os investimentos, realizados pelo consórcio Rio Polímeros (Unipar - 33,3%; Suzano - 33,3%; Petroquisa - 16,7%; e BNDESPAR - 16,7%), foram da ordem de U$ 1,08 bilhão. Deste montante, US$ 650 milhões foram obtidos com o Exim Bank americano e com um consórcio financeiro, cujo controlador é a italiana Sace.
O projeto do pólo também é considerado inovador no Brasil já que utiliza frações de etano e propano, provenientes do gás natural da Bacia de Campos, como matéria-prima para a produção de polietileno, enquanto os já existentes na Bahia, Rio Grande do Sul e São Paulo utilizam a nafta, que é um produto importado, derivado do petróleo, como base.
- Logo, por produzir matéria-prima mais barata, o Estado do Rio acabará captando investimentos previstos para outros estados e países - prevê a governadora Rosinha Matheus.
A governadora informou ainda que, em breve, o Pólo Gás-Químico deverá realizar uma ampliação de sua produção. Através do investimento de US$ 100 milhões, a capacidade do pólo poderá passar de 540 mil toneladas anuais de polietilenos para 700 mil toneladas por ano.
Por essas características, segundo o secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer, o Pólo Gás-Químico é considerado um projeto estruturante para o estado, sendo o maior investimento privado realizado no estado nos últimos 30 anos. A partir de sua implantação, diversas indústrias transformadoras de plástico se fixarão em municípios fluminenses, principalmente na Baixada.
- Já temos oito empresas transformadoras de plástico se instalando na Baixada Fluminense e outras 40 inscritas no programa estadual de incentivos fiscais para o setor. Com isso, a longo prazo poderemos estar gerando cerca de 30 mil novos empregos diretos e indiretos no entorno do pólo - concluiu Victer.
Especialistas do setor consideram o Pólo Gás-Químico um marco para o desenvolvimento do estado.
- Afinal, sendo o principal produtor de petróleo e gás do Brasil, com mais de 83% da produção nacional, o Estado do Rio ainda não tinha um projeto desse porte na área de petroquímica - complementou Victer.
Para melhorar o acesso e o escoamento da produção do pólo, a governadora assinará dentro de alguns dias um convênio com a Prefeitura de Duque de Caxias e as empresas instaladas em Campos Elíseos para construir um novo sistema logístico de escoamento de toda a área até a Rodovia Washington Luiz (Rio-Petrópolis).
- O projeto prevê a construção de uma nova rodovia com 15 quilômetros de extensão. A obra terá investimentos de cerca de R$ 80 milhões, que serão divididos entre o governo estadual (R$ 20 milhões), Prefeitura de Duque de Caxias (R$ 20 milhões) e iniciativa privada (R$ 40 milhões) - explica o secretário.
Os contratos para a implantação do Pólo Gás-Químico foram assinados no dia 25 de janeiro de 2000 pelo ex-governador Anthony Garotinho e pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e as obras começaram no dia 29 de agosto daquele ano.
- O governador Garotinho teve um papel fundamental na implantação do pólo. Foi ele o responsável por reunir todas as partes interessadas, em um workshop realizado na sede da Firjan(Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), no dia 4 de outubro de 1999, para cobrar providências e garantir o apoio do governo estadual ao projeto. Então, an