Rio de Janeiro, 13 de Outubro de 2026

Polivalente e experiente, Prisco Palumbo celebra casamento com o futebol

Segunda, 15 de Agosto de 2011 às 13:03, por: CdB

Fábio Oliveira
Especial para o site da FPF

À frente do futebol feminino profissional da Portuguesa de Desportos, o treinador Prisco Palumbo possui vasta história no futebol paulista, em mais de 40 anos de vida do esporte. Formado em educação física pela UniSantos, radialista durante muitos anos em diversos veículos de comunicação, Prisco também conquistou seu espaço no futsal, dirigindo por um bom tempo dois dos principais órgãos do esporte no Brasil: A Confederação Brasileira de Futsal e a Federação Paulista de Futsal. Atualmente, preside a Associação Paulista de Futebol e o clube Associação Atlética São Paulo, localizado na capital do estado.
 
Iniciou como jogador no ano de 1958, defendendo a camisa do Nacional, tradicional clube da capital paulista. No ano seguinte, se transferiu para a Portuguesa, onde ficou até 1965. No ano seguinte, seguiu para a cidade de Limeira, onde jogou pela Internacional. Em 1971, ainda pela Inter de Limeira, encerrou sua carreira como atleta, atuando sempre como meia-direita. Alternando entre o futsal e o futebol de campo, Prisco também passou por diversos clubes como atleta das quadras, entre eles os principais clubes da capital: São Paulo, Corinthians e Palmeiras.
 
Como treinador de campo, Prisco Palumbo iniciou nas categorias de base do São Paulo, e após três anos, voltou a frequentar o Nacional, desta vez como treinador da equipe feminina. Após mais de uma década e de um período afastado do futebol de campo, devido às atividades com o futsal e o jornalismo esportivo, Prisco retornou à Portuguesa, exercendo a mesma função de comandante no futebol feminino. Há quase quatro temporadas na Portuguesa e disputando o Campeonato Paulista Feminino, o técnico tem a comemorar uma recente conquista: classificou a equipe à segunda fase da competição, na rodada deste último fim de semana.
 
Radialista esportivo, Prisco teve passagens por diversos veículos, como a TV Gazeta, a Rádio Jovem Pan, e a rádio Tupi, onde ficou conhecido pelos programas de esporte que apresentava e comentava. Também foi pioneiro nas transmissões televisivas do futsal, fazendo com que o esporte, antes pouco popular, pudesse alcançar novos meios. Devido ao sucesso no fustal, Prisco foi à Europa no começo da década de 1990, para lecionar cursos do futebol disputado em quadras, em clubes como o Ajax (HOL) e o Bayern Leverkusen (ALE). Enquanto ensinava sobre o futsal, Prisco se aprimorou no futebol de campo, aprendendo métodos de treinamento junto aos clubes europeus.
 
Com tanta diversidade na carreira, sempre em torno da bola, Prisco Palumbo falou um pouco sobre a situação atual do esporte, da imprensa esportiva, de sua carreira e um pouco das lições tiradas em seus 66 anos de vida.

FPF: O que mudou no futebol em relação aos dias atuais?
Prisco: Na verdade, a mudança foi substancial. Antigamente, havia muito mais técnica, víamos muito mais lançamentos de qualidade, passes precisos. Atualmente houve essa alteração, futebol é mais força, mais físico. Hoje vemos um jogo mais de chutão, mas antigamente quem dava um chutão não era bem visto. Tinha mais espaço para sair jogando.
 
FPF: Do que você mais sente falta de sua época como jogador?
Prisco: Sinto falta de mais dribles dos atacantes, da ofensividade. Gosto muito quando vejo um atacante que sai partindo do meio de campo, pois fui da época de Canhoteiro, Luizinho, Dorval, jogadores que driblavam demais.
 
FPF: Fale sobre um episódio marcante da sua carreira.
Prisco: Estavam jogando Inter de Limeira e Ponte Preta. Estávamos perdendo de 3 a 0, em casa, e em cerca de oito minutos empatamos o jogo. Marquei dois gols, toda aquela torcida que estava no alambrado nos massacrando e acabaram aplaudindo. Para mim, que estava sendo muito criticado, foi como um desabafo, mais sempre contido. Afinal, sempre fui muito disciplinado, nunca recebi um cartão vermelho sequer.
 
FPF: Em qual técnico você se espelha?
Prisco: Muitos técnicos antigos, como o Osvaldo Brandão e o Rubens Minelli, que eu gostava muito. São técnicos que me espelho até hoje, sempre faço alguma coisa que eles faziam. Atualmente há bons treinadores, mas eu gosto mesmo destes dois.
 
FPF: Comente sobre a cobertura esportiva por meio da imprensa da atualidade.
Prisco: Traz mais recursos para o futebol, na minha época não tinha nada disto. Antigamente não havia nada escrito nas camisas, já hoje vemos uma série de patrocínios, logicamente devido à presença da televisão. Hoje vemos também diversas rádios e canais de televisão brigando pelos patrocínios, mas acho que isso engrandece o futebol. Mas, penso que nem todos são condizentes ao fazer comentários, o ouvinte precisa estar bem informado, para poder fazer uma boa análise por si só.
 
FPF: O que você tem a dizer para treinadores que estão iniciando suas carreiras?
Prisco: Eles precisam, primeiramente, dar um exemplo de vida extra-campo. Tem que ter um poder em cima dos jogadores, que possam cobrar os jogadores por terem feito isso na vida. Tem que estudar cada vez mais, pois o futebol vai mudando, não podemos ficar paralisados no tempo. Tenho uma visão de que, se o treinador foi jogador, ele tem melhor condições. Não descaracterizo quem não jogou bola, mas dou valor para quem ralou na grama. Por exemplo, o Jorginho, que tem muito carisma e humildade e vem fazendo um brilhante trabalho na Portuguesa. É um treinador dedicado, que consegue reunir o elenco junto a ele, pois ele passou por todas essas fases.

FPF: O que representa o futebol na sua vida?
Prisco: Começou com 12 anos e agora com 66, gosto da mesma maneira. Casei com o futebol e com o futsal, e nunca me separei. Não consigo me ver fora disso, ainda gosto também de bater uma bolinha, correr e jogar. Para mim, foi um casamento eterno.

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