Rio de Janeiro, 29 de Abril de 2026

Políticos serão monitorados pelo governo

Ocupantes de cargos públicos nomeados ou eleitos terão suas movimentações financeiras minuciosamente monitoradas pelo governo, através da Polícia Federal, a partir do ano que vem. A medida tem por objetivo impedir a incidência de crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro. Grandes empresários, como banqueiros e proprietários de grandes grupos de comunicação, e até mesmo parentes dessas pessoas também poderão ser submetidos à medida. (Leia Mais)

Domingo, 11 de Dezembro de 2005 às 17:02, por: CdB

Ocupantes de cargos públicos nomeados ou eleitos terão suas movimentações financeiras minuciosamente monitoradas pelo governo, através da Polícia Federal, a partir do ano que vem. A medida tem por objetivo impedir a incidência de crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro. Grandes empresários, como banqueiros e proprietários de grandes grupos de comunicação, e até mesmo parentes dessas pessoas também poderão ser submetidos à medida.

Essa é uma das 29 metas estabelecidas por órgãos ligados aos poderes Executivo e Judiciário durante a 3ª reunião da Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Encla), que centralizou seus debates em torno da criação de mecanismos que possibilitem um maior controle das atividades financeiras no País. O encontro foi encerrado na tarde deste domingo pela secretária Nacional de Justiça, Cláudia Chagas, em Vitória (ES).

O monitoramento dessas movimentações se daria a partir da definição e regulamentação da chamada "PEPs" (do inglês Politically Exposed Persons) ou Pessoas Politicamente Expostas. A regra, que já existe em outros países, deverá ser implementada no Brasil após a Controladoria-Geral da União (CGU) definir as pessoas que deverão ser submetidas ao critério. O Banco Central será o responsável pela sua regulamentação.

O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antônio Gustavo Rodrigues, afirmou, entretanto, que o monitoramento de servidores já é feito pelo órgão, mas deverá ser intensificado sobre as PEPs com a sua regulamentação. O controle deverá detectar e impedir movimentações de recursos atípicas.

- Não estar na lista (de PEPs) não significa que o servidor não esteja sob monitoramento - disse a secretária.

Trânsito de pessoas e bens

O governo também quer recriar uma base de dados para o registro da entrada e saída de brasileiros no território nacional. Essa determinação foi abolida do país no início dos anos 90, pelo então presidente Fernando Collor de Mello. A prática deverá ser retomada para impedir a fuga de pessoas investigadas que estejam sob determinação da Justiça para não deixar o país.

- Hoje não há qualquer controle de saída sobre brasileiros que viajam ao exterior. Sua implementação seria uma medida preventiva que poderia a impedir a impunidade - afirmou o diretor do Departamento de Recuperação de Ativos e de Cooperação Internacional (DRCI), Antenor Madruga, que também participou das discussões.

Também ficou acertada a criação do Cadastro Nacional de Assinantes de Telefonia Fixa e Móvel e de Internet. A intenção é facilitar a obtenção de números telefônicos e de endereços eletrônicos de pessoas investigadas. O cadastro deverá ser elaborado pelo Ministério das Comunicações e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Ele deverá funcionar, segundo a secretária de Justiça, como o Cadastro Nacional de Correntistas, criado recentemente pelo governo, que determina aos bancos a manutenção de informações sobre todos os correntistas. Atualmente, quando os órgãos de investigação precisam pedir à Justiça a quebra de sigilos telefônicos, é necessário enviar ofícios solicitando informações a todas as operadoras de telefonia.

- Com o cadastro, essas informações chegarão com mais agilidade - afirmou Cláudia Chagas.

Quebra de sigilos

Outra meta estabelecida na Encla foi a criação de mecanismos jurídicos que permitam aos ministérios públicos estaduais e à Polícia Federal o acesso ao sigilo fiscal de pessoas sob investigação formal sem que tenha de ser solicitado previamente à Justiça. A medida recebeu o apoio de representantes do Ministério Público Federal.

- É um modo de dar mais agilidade ao procedimento de investigação - afirmou o representante da Associação Nacional dos Procuradores da República, Wellington Saraiva.

Também ficou acertado na Encla o estudo para a criação de um maior controle sobre a atividade

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