Os políticos libaneses entraram em acordo nesta segunda-feira para a formação de um novo governo pró-sírio, que estava ameaçado por desavenças de última hora sobre a lei eleitoral e sobre determinadas pastas, afirmou uma fonte.
O governo será formado por 30 ministros basicamente pró-sírios, de acordo com a fonte, que administrarão o país até as eleições previstas para maio, mas que devem ser adiadas enquanto uma nova lei eleitoral é esboçada e aprovada pelo Parlamento.
O acordo para a formação do governo foi fechado numa reunão entre o presidente Emile Lahoud, o premiê Omar Karami e o presidente do Parlamento, Nabih Berri, depois de um dia de negociações intensas.
O Líbano está sem governo desde que os protestos anti-Síria obrigaram Karami e seu governo a renunciar, no dia 28 de fevereiro. Depois Karami resolveu formar um novo gabinete que levasse o país até a eleição, mas ainda não tinha conseguido fazer isso, irritando a oposição anti-Síria. A falta de governo pode adiar as eleições, nas quais a oposição espera obter maioria no Parlamento.
A principal tarefa do novo gabinete será elaborar a nova lei eleitoral e supervisionar o pleito, que será realizado depois que a Síria concluir a retirada de suas tropas do Líbano, o que deve acontecer no fim de abril.
A oposição anti-Síria, assim como os Estados Unidos, a França e a ONU, vêm pressionando as autoridades libanesas a realizar as eleições na data prevista.
Por causa da forte pressão popular que se seguiu ao assassinato do ex-premiê Rafik al-Hariri, que muitos atribuíram à Síria, Damasco cedeu às demandas internacionais para sair do Líbano, encerrando uma presença militar de 29 anos.
Durante a noite, cerca de 250 veículos militares sírios carregados de tanques, artilharia e soldados cruzaram a fronteira e retornaram à Síria durante a noite, segundo testemunhas, no maior movimento de desocupação num único dia desde o início da retirada dos 14 mil soldados sírios.
A desencontrada oposição libanesa anti-Síria, formada por cristãos, druzos e muçulmanos sunitas, diverge em questões como a lei eleitoral e o desarmamento do grupo guerrilheiro Hizbollah.
A tentativa de Karami de formar um governo de unidade fracassaram porque a oposição se recusou a se juntar aos políticos pró-Síria.
Políticos libaneses entram em acordo por novo governo pró-Síria
Segunda, 11 de Abril de 2005 às 12:38, por: CdB