Como convencer um adulto que passou a vida sem saber ler e escrever a frequentar uma turma de alfabetização à noite e ter que enfrentar suas dificuldades e limitações? Para os educadores e especialistas no tema, a resposta está na articulação das políticas de educação com outros setores sociais. Não basta oferecer a sala de aula, mas garantir outras formas de motivação.
– Eu sempre pergunto por aí quantas pessoas se inscrevem para fazer um curso de línguas depois do trabalho. A maioria desiste. Então, se coloque no lugar do analfabeto: ele trabalhou o dia inteiro, geralmente em uma função pesada, é um público que exige atenção especial. O adulto vai ter dificuldade em ler e escrever, você precisa fazer com que ele acredite que vale à pena ir para as aulas à noite – defende o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (MEC), André Lázaro.
Segundo o secretário, o MEC está tentando convencer prefeituras e governos estaduais a investir em ações integradas nas turmas de alfabetização.
– Nós sustentamos a tese de que a educação organiza. No caso das turmas do Brasil Alfabetizado, você pode organizar uma série de políticas públicas, seja com palestras sobre saúde da mulher ou programas de geração de renda e cooperativismo – afirmou.