O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta sexta-feira, o presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, no Palácio do Planalto. Em seguida, os dois almoçaram no Palácio do Itamaraty. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o encontro vai reforçar a cooperação entre os dois países. Evo Morales assume a presidência da Bolívia no próximo dia 22. Lula e Morales conversaram sobre o papel da Bolívia na consolidação da Comunidade Sul-Americana de Nações, ainda de acordo com o Ministério das Relações Exteriores. Outro assunto de interesse dos dois países é a exploração de gás natural.
Desde 1996, a Petrobras explora gás na Bolívia e é a maior empresa do setor no país, com duas refinarias. Levantamento da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Adegas), em dezembro de 2005, mostrou que 44% do gás natural consumido no país vem da Bolívia. Um dos principais projetos do novo presidente boliviano é nacionalizar a produção e exploração de gás no país, o que leva a estatal brasileira a ter de rever os negócios na Bolívia. De acordo com a assessoria da Petrobras, o presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, também esteve no encontro para debater o assunto junto com Lula e o novo presidente boliviano.
A intenção de Gabrielli, como o próprio já havia manifestado anteriormente, "é de começar as negociações do zero", segundo assessor do Palácio do Planalto que não quis ser identificado.
A Petrobras opera os principais poços de gás da Bolívia ao mesmo tempo em que importa cerca de 30 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural. Conflitos nacionalistas internos colocaram em xeque essa relação, principalmente no que se refere à propriedade da produção naquele país.
Segundo o assessor, o presidente da estatal brasileira vai mostrar a Evo que, apesar da Petrobras ser estatal, tem ações em bolsa e não está sob o comando político. Participaram também da reunião o diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, o atual presidente da Petrobras Bolívia, José Fernando de Freitas, e o ex-presidente da Petrobras Bolívia durante seis anos Décio Odoni.
O encontro de apresentação poderá também reativar um antigo assunto entre os dois países, que se refere à parceria da Petrobras com a estatal boliviana YPFB.