Um ano depois de realizar uma espetacular Olimpíada, Pequim tem ar mais limpo e menos congestionamentos, mas a crise econômica e efemérides políticas delicadas macularam a aura pós-Jogos.
A cidade investiu bilhões de dólares em estradas, metrôs, parques e um gigantesco terminal aéreo para realizar o evento em agosto de 2008. Fábricas muito poluentes foram fechadas ou transferidas para províncias vizinhas, e o uso dos carros foi restringido.
– Pequim se beneficiou enormemente dos Jogos, que ajudaram a melhorar sua infraestrutura e seu ecossistema urbano – escreveu Jiang Xiaoyu, ex-dirigente do comitê organizador olímpico, em artigo nesta semana no jornal China Daily.
– O duradouro legado irá continuar desempenhando um papel importante em impulsionar o desenvolvimento sustentável da cidade – acrescentou Jiang, que foi o mais visível membro do comitê organizador.
Mas críticos dizem que o legado na infraestrutura não foi acompanhado por melhorias no meio ambiente e nos direitos individuais, conforme prometia o governo. Na verdade, dizem eles, o céu continua cinzento, e o governo ampliou a pressão sobre ativistas dos direitos humanos neste ano delicado.
Em junho completaram-se 20 anos da sangrenta repressão a manifestantes estudantis na Praça da Paz Celestial, e em outubro o regime comunista celebra seus 60 anos.
– A situação atual é que as coisas estão ruins, em algumas áreas específicas piores, do que no ano passado – disse Phelim Kine, da entidade Human Rights Watch, de Nova York. "Até 1o de outubro... podemos esperar mais pressão, mais assédio, mais repressão a pessoas como dissidentes e defensores dos direitos humanos, e provavelmente veremos Pequim ser varrida de 'indesejáveis' como pessoas com abaixo-assinados, profissionais do sexo e pedintes."
Cheiro ruim
Nestes 12 meses, a poluição de fato parece ter diminuído, mas o ar em alguns dias ainda traz um cheiro ruim, e prédios a poucas centenas de metros podem sumir em meio à névoa.
– Alguns indicadores (negativos) baixaram – disse o ambientalista Ma Jun.
– Há esforços em andamento, por exemplo, para usar gás natural e reduzir o carvão em Pequim. Mas os carros se tornaram um grande problema – completou.
E parte da melhora no ar se deve simplesmente à menor demanda industrial por causa da crise global.
A recessão, aliás, atingiu em cheio o turismo internacional, deixando quase vazios alguns dos sofisticados hotéis inaugurados para a Olimpíada -- e que nunca conseguiram realizar suas expectativas, devido às dificuldades da clientela em potencial para conseguir vistos.
Nas últimas semanas, alguns dos melhores hotéis novos da capital registram uma ocupação inferior a 10%, segundo fontes do setor, que lembram também que o verão tradicionalmente é uma temporada fraca para o turismo em Pequim.
Desta vez, porém, os novos controles de vistos adotados para evitar a entrada de manifestantes por ocasião do 60° aniversário da China comunista estão piorando a situação.
Política e economia maculam legado da Olimpíada de Pequim
Um ano depois de realizar uma espetacular Olimpíada, Pequim tem ar mais limpo e menos congestionamentos, mas a crise econômica e efemérides políticas delicadas macularam a aura pós-Jogos.(Leia Mais)
Sexta, 07 de Agosto de 2009 às 07:26, por: CdB