Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Política do BCP fortalece a especulação financeira e debilita a economia

Segunda, 11 de Julho de 2011 às 10:19, por: CdB

Tradução: ADITAL

A tendência inflacionária que se apresentou na região em 2011 tem levado as autoridades econômicas a tomar medidas a respeito. No caso paraguaio, o Banco Central optou por executar uma política monetária contrativa, baseada no aumento das taxas de juros das letras de regulação monetárias (LRM), que chegaram a 10% anuais, quando no ano passado estavam próximas a 1% anual.

Essas taxas tão elevadas pagas pelo Banco Central do Paraguai (BCP) às entidades financeiras conduziram a que os Bancos privados tenham trasladado grande parte de seus depósitos ao banco central, que retirou nesse conceito uma porção significativa da massa monetária, ao custo de pagar uma alta taxa de juros. E isso já está causando elevadíssimos lucros para os Bancos que, entre janeiro e maio do presente ano tiveram ganhos de 153 milhões de dólares, que é 34% superior aos lucros do mesmo período no ano passado.

Nesse momento de crise mundial e de forte inflação na região do Mercosul, no Paraguai, os bancos estão lucrando mais do que nunca, graças à política monetarista de inspiração neoliberal aplicada pelo BCP. E isso nos parece um erro grave, pois dessa maneira se está drenando recursos do Estado paraguaio em favor dos bancos privados, em geral, estrangeiros.

Atualmente, as entidades financeiras investiram em letras do BCP um montante aproximado de 1.315 bilhão de dólares. Por esse dinheiro, o BCP está pagando em média 10% de juros, o que significa que nesse ano pagará aos que possuem essas LRM aproximadamente 131 milhões em conceito de juros, com um risco de morosidade zero para os bancos. Isto é, estamos presenteando as intermediárias financeiras com mais de 130 milhões de dólares para que elas subam suas taxas de juros para o público, encareçam os créditos e o consumo seja reduzido, mesmo que, inevitavelmente, também se reduza a produção, devido ao encarecimento dos créditos.

Em vez de que o BCP combata a inflação tirando dinheiro de circulação, pagando por isso aos bancos 131 milhões de dólares, a política econômica mais racional e conveniente para o país teria sido a de utilizar esses fundos para fortalecer a produção, outorgando linhas de crédito mais baratas para os setores produtivos. Se esses 131 milhões em vez de aumentar os lucros dos bancos fossem utilizados para aumentar a produção nacional de açúcar, de lácteos, de frutas e de hortaliças, de carne para o mercado interno etc., os preços desses produtos tivessem baixado devido a maior oferta e tivessem controlado a inflação, em um processo que, ao mesmo tempo, gera mais empregos, mais produção, mais crescimento e, inclusive, mais ingressos tributários para o Estado.

É um despropósito econômico, nosso Estado estar pagando milhões de dólares aos Bancos para que encareçam os créditos à população, em vez de destinar esses recursos como créditos baixos para fortalecer a produção e uma oferta maior. Para completar, os bancos provados fazem grande parte do negócio com dinheiro público, visto que muitas instituições estatais têm seus recursos depositados em bancos privados, em vez de tê-los no BNF ou no próprio BCP. Uma medida mais rápida e barata para reduzir a oferta monetária teria sido que se retire o dinheiro público do setor privado para ser depositado no Banco Central.

O círculo é perfeito para os bancos privados: recebem os depósitos de várias instituições públicas pelos quais pagam juros baixíssimos; compram as letras do BCP com esses e outros recursos; e, finalmente, cobram altíssimos juros que o banco estatal lhes paga. Isto é, lhes damos nosso dinheiro para que nos emprestem e pagamos altos juros por isso. E, ao mesmo tempo, encarecemos os créditos, freamos a produção, o emprego e o consumo. Esse é o resultado da fé cega do BCP no monetarismo neoliberal.

Luis Rojas              Aníbal Amado               Idilio Méndez
Presidente              Vice presidente              Secretario Executivo
0991 716123          0983 677241                0981 170949

Assunção, 4 de julho de 2011.

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