Policiais Civis do Distrito Federal em greve interromperam parcialmente o trânsito em frente ao Palácio do Planalto, por cerca de meia hora, na noite dessa quarta-feira, utilizando centenas de viaturas oficiais, com sirenes ligadas, tocando buzinas e disparando rojões.
O "sirenaço" foi desencadeado logo após assembléia que decidiu por uma paralisação dos cerca de 10 mil policiais civis e uma "operação padrão" dos cerca de 25 mil policiais e bombeiros militares, segundo o diretor jurídico do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-DF), André Rizzo.
Ele informou que 1.500 carros policiais, muitos dos quais descaracterizados, foram usados pelos manifestantes grevistas.
- Nossa manifestação é contra o descaso do governo federal, que está protelando um reajuste de 18 % para a categoria - informou Rizzo.
- Estaremos em greve até que o governo federal cumpra sua obrigação - disse.
Os policiais e outros servidores da segurança pública em Brasília, que recebem os vencimentos mais altos do país, são remunerados com repasses de um fundo constitucional sustentado pelo Orçamento da União.
O piso salarial dos policias civis em Brasília é de 5 mil reais para agentes e de 7.500 mil reais para delegados, segundo o diretor do Sinpol-DF.
Um reajuste de 18%, em duas parcelas, foi negociado com o Governo do Distrito Federal, mas precisa ser aprovado pelo Congresso em projeto de lei ou editado por Medida Provisória.
- O governo prometeu, mas não cumpriu, editar essa MP, e esse é o motivo da greve - acrescentou André Rizzo.
Ele disse que o sindicato não teve como impedir que os polciais utilizassem ilegalmente carros oficiais para bloquear o trânsito em frente ao Planalto, "por causa da situação criada pelo descaso do governo federal".
O Palácio do Planalto não comentou a manifestação. O trânsito foi interrompido das 20h às 20h30 em um dos sentidos da pista em frente ã sede do governo. Não foram registrados outros incidentes.
O Ministério do Planejamento suspendeu nesta quarta-feira a edição de medida provisória que permitira reajustes para 260 mil servidores até que a Advocacia Geral da União se pronuncie sobre alcance de decisão da Justiça Eleitoral sobre reajustes neste ano. A MP previa reajuste para a Polícia Federal, normalmente estendido aos policias de Brasília.