Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026

Policiamento garante ressocialização à moradores do Dona Marta

Desde novembro de 2008, a comunidade do Morro Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, está passando por um importante processo de ressocialização. Para realizar esse trabalho, os 10 mil moradores do local contam com a dedicação de 125 policiais, comandados pela capitã da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro Priscila de Oliveira Azevedo. O Dona Marta recebe investimentos dos governos federal, estadual e municipal para que sejam realizadas obras de reurbanização e ações sociais na comunidade.(Leia Mais)

Sexta, 06 de Fevereiro de 2009 às 08:44, por: CdB

Desde novembro de 2008, a comunidade do Morro Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, está passando por um importante processo de ressocialização. Para realizar esse trabalho, os 10 mil moradores do local contam com 125 policiais, comandados pela capitã da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro Priscila de Oliveira Azevedo. O Dona Marta recebe investimentos dos governos federal, estadual e municipal para que sejam realizadas obras de reurbanização e ações sociais na comunidade.

Instalada em uma creche localizada no topo do morro, a Companhia de Policiamento Comunitário do Santa Marta ajuda na missão de aproximar a comunidade da corporação. A ideia é levar à população segurança pública e cidadania. Em menos de dois meses, os policiais militares conquistaram o respeito de boa parte dos moradores do local. 

– Comandar os policiais é uma grande satisfação. Está sendo um grande desafio liderar 125 homens dentro de uma comunidade. Mas estamos colhendo bons frutos. O relacionamento com os moradores do morro está tendo uma boa receptividade. Alguns ainda têm receio de falar, mas pelo olhar notamos que estão satisfeitos – conta a capitã Priscila.

As ações lideradas no Dona Marta têm rendido elogios à policial, que está na corporação desde 1998. A operação no Dona Marta está acontecendo desde abril de 2008. A Polícia Militar começou realizando ações no morro, apreendendo armas, entorpecentes, animais silvestres, caça-níqueis e depósitos clandestinos de gás, TV a cabo e internet. O novo formato de policiamento se iniciou com uma operação de choque, que contou com o auxilio de policiais de onze batalhões. O objetivo era realizar a grande intervenção quando a comunidade estivesse pacificada.

Hoje, o Morro Dona Marta conta com recursos para reformar e construir casas e melhorar o acesso às áreas do local. Durante a primeira etapa das intervenções, a população recebeu o plano inclinado, redes de esgoto, água potável e drenagem. Uma creche reformada, um campo de futebol com grama sintética e a adaptação para internet comunitária também fazem parte da nova realidade do morro. Os moradores da comunidade ganharam também o Centro de Educação Tecnológico e Profissionalizante (Cetep), que oferecerá cursos gratuitos de inglês, espanhol, informática, corte e costura, eletricista, bombeiro hidráulico, cabeleireiro, manicure e pedicure. 

– Atualmente, nosso trabalho é realizado em pontos estratégicos de baseamento na entrada do Dona Marta, na companhia e nas estações do plano inclinado. Temos também uma equipe, composta por cerca de 10 policiais, que faz uma incursão em toda a comunidade. Esse projeto pioneiro, que é o carro-chefe do governo em termos de Segurança, deve ser ampliado e aprimorado com base no laboratório instalado no Dona Marta. A expectativa é aplicar essa operação em comunidades como Cidade de Deus e Batam – explica o comandante do 1° Comando de Policiamento de Área, coronel Gilleade Albuquerque.

Morador da comunidade, Marco Antonio Ferreira Júnior está satisfeito com as iniciativas sociais que o morro vem recebendo desde a ocupação da Polícia Militar. Além da tranquilidade, o ajudante de obras de 22 anos conquistou outro bem valioso: um emprego nas intervenções realizadas pelo governo do Estado do Rio de Janeiro.

Treinamento dos policiais comunitários

Para promover um policiamento mais humano, a Secretaria de Segurança ministrou um curso de Policiamento Comunitário. As aulas, organizadas pelo Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), destacaram a estrutura, as técnicas e as estratégias necessárias para que os recrutas pudessem desenvolver um trabalho em conjunto com os moradores do Morro Dona Marta.

A especialização, que teve duração de 40 horas, foi composta pelas disciplinas de Relações Interpessoais; Direitos Humanos; Gestão pela Qualidade na Segurança Pública; Mobilização Social e Estruturação de Conselhos Comunitários; Polícia Comunitária e Sociedade; Troca de Experiências em Polícia Comunitária; e Mediação de Conflitos.

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