Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Policial afirma que colocou a vítima no porta-malas do carro porque rua era 'estreita'

Um dos três policiais presos pela morte de Claudia Silva Ferreira no Morro da Congonha, em Madureira, no Subúrbio do Rio, o subtenente da Polícia Militar Rodney Miguel Archanjo declarou no auto da prisão que colocou a vítima no porta-malas do carro “porque a rua era estreita” e que devido ao grande número de pessoas que se encontravam ao redor do carro da polícia.

Quarta, 19 de Março de 2014 às 08:25, por: CdB
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De acordo com Rodney, que está preso no Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste, muitos moradores estavam alterados e tentavam entrar no veículo da polícia
Um dos três policiais presos pela morte de Claudia Silva Ferreira no Morro da Congonha, em Madureira, no Subúrbio do Rio, o subtenente da Polícia Militar Rodney Miguel Archanjo  declarou no auto da prisão que colocou a vítima no porta-malas do carro “porque a rua era estreita” e que devido ao grande número de pessoas que se encontravam ao redor do carro da polícia, “não foi possível abrir as portas o suficiente para que se colocasse a auxiliar de serviços no banco traseiro”. De acordo com Rodney, que está preso no Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste, muitos moradores estavam alterados e tentavam entrar no veículo da polícia, dificultando o socorro. Em outro trecho, ele declarou que pode observar que o outro subtenente, Adir Serrano Machado, ajudado por outro PM, conseguiu pegar Claudia no colo e colocá-la no compartimento de presos do carro. Ele declarou também que quando os policiais chegaram à comunidade, se deparou com pessoas em volta de outros oficiais. Ele afirmou  que viu os moradores revoltados com o desfecho da operação em que a moradora foi baleada. Para o sargento da PM, Alex Sandro da Silva Alves, foi Boaventura quem pediu que os policiais socorressem a vítima. De acordo com ele, o tenente gritava "socorre, bota na viatura e socorre". O subtenente Adir Ferreira Machado contou como foi o socorro à vítima e disse que o cabo Meireles foi quem verificou que a mala estava devidamente trancada e que quando o porta-malas da polícia abriu, determinou que o motorista parasse e colocou Claudia novamente no carro. O tenente Rodrigo Boaventura, que não está entre os detidos, disse no auto da prisão que a equipe da Polícia Militar foi recebida no Morro do Congonha por disparos de armas de fogo. Cláudia Silva Ferreira, que teve o corpo arrastado por 350 metros por um carro da Polícia Militar no domingo no Morro da Congonha, em Madureira, no Subúrbio do Rio, foi morta por conta de um dos disparos pelos quais foi atingida, segundo informações da GloboNews na tarde desta terça-feira. A informação foi dada pela Polícia Civil. Após ser ferida, Claudia foi colocada por policiais no porta-malas para ser levada para o Hospital Carlos Chagas, onde chegou sem vida, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. No meio do caminho, no entanto, a mala abriu, ela ficou presa por um pedaço de roupa ao carro, e teve parte do corpo dilacerada ao ser arrastada pelo asfalto.  Segundo informações do portal G1. O atestado de óbito, no entanto, informa que ela foi morta por conta da "laceração cardíaca e pulmonar de ferimento transfixante do tórax por ação perfurocortante", ou seja, devido ao tiro. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), "perícias complementares" serão realizadas. Para a polícia, a tranca do porta-malas não tinha defeito o que pode agravar a punição dos três policiais que participaram do "socorro" frustrado. Os subtenentes Adir Serrano Machado e Rodney Miguel Arcanjo e o sargento Alex Sandro da Silva Alves estão presos no Complexo Penitenciário de Bangu 8 e, nesta terça, tiveram o pedido de soltura negado pela Justiça Militar, onde prestaram depoimento. Segundo a Polícia Civil, eles foram presos em flagrante e dois inquéritos foram abertos para apurar o caso. O advogado Marcos Espínola, que faz a defesa do policial Alex Sandro da Silva Alves,  afirmou que a morte de Claudia foi um acidente. Disse ainda que o objetivo dos PMs era tentar salvar a moradora. E que ela foi colocada na parte de trás do carro porque o carro estava com armas no banco traseiro. A equipe do portal G1 procurou a defesa dos outros dois PMs, mas não conseguiu contato. A filha de Cláudia Silva Ferreira,  Thaís Lima afirma que os policiais que estavam no local acharam que Cláudia tivesse envolvimento com o tráfico de drogas. Thaís foi ao estúdio do Bom Dia Rio na manhã desta terça-feira para contar como tudo aconteceu. Ela disse que não acredita na Polícia Militar. - Foi só virar a esquina e ela deu de frente com eles. Eles (os policiais) deram dois tiros nela, um no peito, que atravessou, e o outro, não sei se foi na cabeça ou no pescoço, que falaram. E caiu no chão. Aí falaram [os policiais] que se assustaram com o copo de café que estava na mão dela. Eles estavam achando que ela era bandida, que ela estava dando café para os bandidos - contou. De acordo com Thaís, os moradores tentaram impedir que a polícia levasse Cláudia do local. No tumulto, policiais teriam atirado para o alto para afastar as pessoas. Ainda segundo ela, o porta-malas do carro da PM que levou Cláudia abriu uma primeira vez na Rua Buriti, logo após o socorro feito pelos PMs. - Um pegou ela pela calça e outro pela perna e jogou dentro da Blazer, lá dentro, de qualquer jeito. Ficou toda torta lá dentro. Depois desceram com ela e a mala estava aberta. Ela ainda caiu na Buriti [rua, em Madureira], no meio do caminho, e eles pegaram e botaram ela para dentro de novo. Se eles viram que estava ruim porque eles não endireitaram (sic) e não bateram a porta de novo direito? - questionou.  
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